O atleta está na 24ª semana depois da reconstrução do LCA e, no fim da sessão, faz a pergunta de sempre: quando eu volto a jogar? Você sabe a resposta, ou quase. O hop test da última reavaliação está no caderno, a força que o preparador físico mediu está numa planilha, e o técnico mandou mensagem ontem perguntando se ele já pode treinar com bola.
Nada disso está no prontuário. Na hora de decidir — ou de explicar a decisão ao atleta, ao técnico e ao médico que operou — você junta pedaços de três lugares.
A fisioterapia esportiva tem uma rotina diferente da clínica geral, e o sistema que funciona bem para quem atende lombalgia em sessão avulsa pode não dar conta dela. Este artigo mostra o que muda, o que o sistema precisa resolver e como montar a ficha esportiva do seu jeito.
O que a fisioterapia esportiva pede de um sistema
A diferença não está no que se faz na sessão, e sim em tudo o que vem antes e depois dela. Cada característica da rotina esportiva vira uma exigência para o sistema:
| Na rotina esportiva | O que o sistema precisa ter |
|---|---|
| A alta depende de teste, medido várias vezes | Ficha com os testes, repetida a cada reavaliação |
| Reabilitação longa, dividida em fases | Evolução que registra fase, carga e dor |
| O atleta só pode antes ou depois do treino | Agenda com horário partido e sessões em série |
| Técnico, preparador físico e médico na conversa | Relatório pronto para enviar e registro da autorização |
| Atendimento no campo, na quadra ou na competição | Prontuário que funciona no celular |
| Pós-operatório longo e atleta em prevenção o ano todo | Cobrança por pacote e por mensalidade |
Sistema com anamnese fixa, agenda de horário corrido e cobrança só por sessão resolve a primeira semana. Na décima, metade da reabilitação está fora dele.
A avaliação: monte a ficha com os testes que você usa
A anamnese genérica tem queixa principal, história da doença atual e exame físico. Faltam justamente os campos que decidem a reabilitação do atleta, e o fisioterapeuta acaba escrevendo os testes num campo de observação livre. Três meses depois, comparar a reavaliação com a avaliação inicial vira um trabalho de garimpo.
Uma ficha esportiva costuma ter cinco blocos:
- Perfil esportivo: modalidade, posição ou prova, nível (recreativo, amador competitivo, profissional), volume semanal de treino e a próxima competição que importa para o atleta
- Lesão: data, mecanismo (com ou sem contato), lado dominante, cirurgia (tipo e data) e lesões anteriores no mesmo segmento
- Testes por membro: uma tabela com os testes nas linhas e o membro lesionado e o contralateral nas colunas — hop tests, Y-Balance, força medida com dinamômetro, amplitude de movimento — com o índice de simetria ao lado de cada teste
- Dor e prontidão: dor de 0 a 10 no gesto esportivo e, no pós-operatório de LCA, uma escala de prontidão psicológica como o ACL-RSI
- Critério combinado: o que precisa acontecer para o atleta avançar de fase e para voltar a competir, escrito já na avaliação, para que a conversa da 24ª semana não comece do zero
Quais testes usar e quais valores de corte considerar está em testes de retorno ao esporte. Para o caso mais comum da clínica esportiva, o protocolo pós-operatório de LCA fase a fase mostra o que medir para liberar cada etapa.
Como isso fica no Clinvo
No Clinvo, a ficha é sua. Com as fichas personalizadas (planos Profissional e Clínica), você cria a avaliação do zero ou duplica a Avaliação Traumato-Ortopédica, que já vem pronta, e monta do jeito que avalia: a tabela vira a grade dos testes por membro, a dor entra como escala de 0 a 10, o nível competitivo vira uma lista de escolha e o tipo de cirurgia só aparece quando “Fez cirurgia?” for sim.
Dá para ter quantos modelos quiser — “Avaliação esportiva — joelho”, “Avaliação esportiva — ombro do arremessador”, “Reavaliação de retorno” — e escolher qual usar em cada atendimento. Melhorar o modelo no meio da temporada não altera as avaliações já feitas: cada ficha guarda a estrutura do dia em que foi preenchida. O índice de simetria é um campo numérico que você preenche; a ficha não faz a conta sozinha. O que dá e o que não dá para personalizar está detalhado em sistema com anamnese personalizável.
A evolução: por fase, com carga e dor
Dez evoluções seguidas com “realizado fortalecimento de quadríceps, paciente refere melhora” não contam a história da reabilitação. Ninguém consegue ler ali quando o atleta mudou de fase, quanto a carga subiu ou em que semana o joelho reagiu.
Na reabilitação esportiva, a evolução útil registra:
- A fase atual e se o critério para avançar já foi cumprido
- Os exercícios-chave com a carga — séries, repetições, peso ou distância
- A percepção de esforço da sessão, de 0 a 10, quando você acompanha a carga de treino
- A dor durante a atividade e no dia seguinte. Em tendinopatia, por exemplo, um critério bastante usado aceita dor de até 5 em 10 durante o exercício, desde que ela volte ao nível de antes até o dia seguinte
O mesmo construtor da avaliação vale para a evolução: você cria um modelo de evolução de reabilitação esportiva, com a fase numa lista de escolha e a dor como escala, e o vincula ao serviço. Quando a sessão daquele serviço é registrada, a ficha certa já vem selecionada. A reavaliação usa a mesma ficha da avaliação inicial, e as duas ficam no histórico do atleta com data, uma depois da outra.
A agenda: as pontas do dia e as semanas de competição
O atleta amador trabalha e treina; o profissional treina em dois períodos. Os horários disputados são cedo e à noite, e o meio do dia fica vazio. A agenda precisa aceitar horário partido, com manhã e noite e o bloqueio no meio, em vez de forçar um expediente corrido.
Três outras necessidades aparecem cedo:
- Sessões em série: duas ou três por semana até a próxima reavaliação, agendadas de uma vez, com a possibilidade de remarcar uma sem desmontar as outras
- Bloqueios de agenda: o fim de semana de competição, a viagem com a equipe, a semana de pré-temporada no clube
- Turma: grupo de prevenção de lesão ou de retorno à corrida, com vagas contadas, cada atleta com o próprio prontuário e a própria cobrança
Para o atleta que esquece a sessão da manhã, o lembrete automático pelo WhatsApp antes do horário resolve boa parte das faltas.
Técnico, clube e médico: o que sai da clínica
Na fisioterapia esportiva, quase sempre há alguém além do atleta esperando notícia. Antes de mandar qualquer coisa, vale lembrar duas regras: dado de saúde é dado sensível pela LGPD, e o sigilo profissional vale também para o técnico. O atleta — ou o responsável legal, se ele for menor de idade — precisa autorizar o que vai ser compartilhado e com quem, de preferência por escrito. Um campo de termo de consentimento na própria ficha registra a autorização junto da avaliação. A lista completa do que a clínica precisa ter está no checklist de LGPD para clínica de fisioterapia.
Com a autorização, cada pessoa recebe o que precisa:
| Para quem | O que costuma bastar |
|---|---|
| Técnico e preparador físico | Fase da reabilitação, o que pode e o que não pode no treino, data da próxima reavaliação |
| Médico que operou ou encaminhou | Diagnóstico cinético-funcional, testes com os números, conduta e evolução |
| O próprio atleta | Os números dele comparados com a avaliação anterior e o critério que ainda falta |
O relatório para o médico ganha muito com um diagnóstico cinético-funcional bem escrito. Ninguém de fora acessa o sistema da clínica: o documento sai com a sua logo e o seu registro no CREFITO, em PDF ou impresso, e é você quem envia.
Fora da clínica: campo, quadra e competição
Parte do atendimento esportivo acontece longe da maca: na beira do campo, na quadra, no vestiário da competição ou na casa do atleta. Se o prontuário só abre no computador da recepção, a evolução desse atendimento fica para a noite, escrita de memória.
O sistema precisa funcionar no celular: abrir o histórico antes de atender, registrar a evolução na hora e anexar uma foto ou o PDF da ressonância que o atleta trouxe.
A cobrança: pacote por fase, sessão avulsa e mensalidade
A fisioterapia esportiva mistura três formas de cobrar, e o sistema precisa aceitar as três sem planilha ao lado:
- Pacote por bloco da reabilitação: no pós-operatório, um pacote de sessões por fase. O sistema abate cada sessão e mostra quantas restam; montar e precificar está em pacote de sessões de fisioterapia
- Mensalidade: o atleta que segue em prevenção o ano todo, com frequência fixa, paga por mês
- Sessão avulsa: a avaliação de pré-temporada, a análise de corrida, o atendimento pontual na semana de competição
Se a dúvida é entre as duas primeiras, mensalidade fixa ou pacote de sessões ajuda a decidir.
Perguntas para fazer na demonstração
Leve um caso real e faça estas perguntas em qualquer sistema que você avaliar:
- Consigo criar a minha ficha de avaliação, com os testes em tabela por membro, sem depender do suporte?
- Se eu mudar o modelo no meio da temporada, as avaliações antigas continuam como foram preenchidas?
- Consigo ter um modelo de evolução para a reabilitação e outro para a prevenção?
- A agenda aceita manhã e noite com intervalo, e uma série de duas ou três sessões por semana?
- Dá para montar turma com vagas, com prontuário individual para cada atleta?
- O relatório sai com a minha logo e o meu CREFITO, pronto para mandar ao médico?
- Consigo registrar a evolução no celular, na beira do campo?
- O prontuário inteiro sai em PDF, com as fichas que eu criei?
Se a resposta à primeira pergunta for “não”, as outras sete importam menos: os números voltam para o caderno na segunda semana.
O Clinvo foi feito para a fisioterapia que acontece em série: fichas de avaliação e de evolução que você monta com os testes do seu esporte, cada reavaliação no histórico do atleta, agenda com horário partido, sessões em série e turmas, relatório com a sua logo e o prontuário no celular — pelo app no Android ou pelo navegador no iPhone. Fichas personalizadas, relatórios, pacotes e o lembrete automático pelo WhatsApp fazem parte dos planos Profissional e Clínica. Também vale saber o que ele não faz: não calcula o índice de simetria sozinho (você registra o número) e não tem aplicativo para o atleta. Se o essencial para você é a ficha esportiva do seu jeito e a reabilitação registrada fase a fase, teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.