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Diagnóstico cinético-funcional: 15 exemplos prontos por especialidade (para adaptar, não copiar)

Quinze exemplos reais e estruturados de diagnóstico cinético-funcional — lombalgia, ombro, joelho, AVC, Parkinson, pélvica, geriatria e mais — com a anatomia da frase que sustenta o seu parecer e o registra no prontuário.

Você sabe formular um diagnóstico cinético-funcional. O que trava, na hora de escrever o relatório, é o branco: como transformar tudo o que você avaliou numa frase que se sustenta — sem virar um parágrafo solto de “paciente com dor e limitação de movimento”?

Aqui estão quinze exemplos, organizados por área, realistas e estruturados. A regra antes de usar: diagnóstico é o resultado da sua avaliação de um paciente real. Estes modelos calibram estrutura, vocabulário e nível de detalhe; cada elemento da frase tem que descrever o que você observou. Se quiser revisar a fronteira entre o seu diagnóstico e o CID do médico, comece por aqui.

A anatomia de um diagnóstico que se sustenta

Um diagnóstico cinético-funcional fraco diz “paciente com dificuldade de movimento”. Um forte tem quatro camadas, e é a presença delas que separa um parecer profissional de uma anotação genérica:

  1. A disfunção do movimento — o que está alterado: força, amplitude, tônus, controle motor, equilíbrio, padrão respiratório, dor.
  2. O déficit mensurável — com número. Grau de força, EVA, escore de escala, e principalmente os graus de goniometria. Quanto mais mensurável, mais forte (e mais fácil de reavaliar depois).
  3. A limitação de atividade — o que o paciente não consegue fazer: subir escada, vestir-se, permanecer sentado, caminhar uma distância.
  4. A restrição de participação — o impacto na vida: trabalho, esporte, papéis sociais.

Repare que essa estrutura é a própria lógica da CIF (função → atividade → participação). Os exemplos abaixo seguem todos esse esqueleto. O CID, quando aparece, é referência ao diagnóstico médico de origem — você não cria, registra.

Ortopedia e traumatologia

1. Lombalgia mecânica crônica (ref. CID-10 M54.5)

Disfunção do movimento lombopélvico com déficit de controle motor de tronco e encurtamento de cadeia posterior. Flexão de tronco limitada (dedos a 25 cm do solo), dor à extensão e à sustentação prolongada (EVA 6/10) e fraqueza de glúteo médio. Limitação para permanecer sentado além de 30 minutos e para abaixar-se; restrição da jornada de trabalho administrativo e da prática de caminhada.

2. Síndrome do manguito rotador (ref. CID-10 M75.1)

Déficit de mobilidade ativa do ombro direito com arco doloroso entre 70° e 110°, elevação ativa limitada a 130° (passiva preservada) e fraqueza de rotadores externos (grau 3). Dor noturna ao deitar sobre o ombro (EVA 5/10). Limitação para vestir-se, pentear o cabelo e alcançar objetos altos; restrição da atividade profissional de pintor.

3. Gonartrose (ref. CID-10 M17)

Disfunção articular do joelho com flexão reduzida (0–105°), déficit de força de quadríceps (grau 3+) e dor mecânica ao apoio (EVA 5/10 ao subir escadas), com crepitação e edema discreto. Limitação para subir e descer escadas, levantar-se de assentos baixos e caminhar mais de 400 m; restrição da participação em atividade de lazer (dança).

4. Pós-operatório de reconstrução de LCA — fase intermediária (ref. CID-10 S83.5)

Déficit residual de extensão de joelho (-5°) e de controle neuromuscular excêntrico de quadríceps na fase de apoio, com força ainda assimétrica em relação ao membro contralateral. Marcha sem claudicação em plano; insegurança na descida de escadas e impossibilidade de corrida. Limitação para o retorno gradual ao esporte; restrição temporária da prática de futebol recreativo.

5. Síndrome do túnel do carpo — tratamento conservador (ref. CID-10 G56.0)

Disfunção neurodinâmica do nervo mediano com parestesia nos três primeiros dedos, déficit de preensão (dinamometria reduzida em relação ao lado contralateral) e teste de Phalen positivo. Despertares noturnos por dormência. Limitação para tarefas de precisão e digitação prolongada; restrição do desempenho no trabalho de costureira.

Neurofuncional

6. Sequela de AVC — hemiparesia à esquerda (ref. CID-10 I69)

Disfunção do controle motor de hemicorpo esquerdo com hipertonia flexora de membro superior (Ashworth 2), déficit de dissociação de cinturas e equilíbrio dinâmico reduzido (Berg 38/56). Marcha domiciliar com bengala sob supervisão por até 30 m. Limitação para preensão funcional da mão esquerda e para deambulação externa; restrição da independência nas atividades de vida diária e do retorno ao trabalho.

7. Doença de Parkinson — estágio 2 (Hoehn & Yahr) (ref. CID-10 G20)

Disfunção da marcha com redução de comprimento de passada, bradicinesia e episódios de festinação, associada a déficit de reações posturais e equilíbrio reativo lentificado. Timed Up and Go 16 s. Limitação para giros, dupla-tarefa e transposição de obstáculos, com risco de queda aumentado; restrição da autonomia para sair de casa sem acompanhante.

8. Lesão medular incompleta — nível torácico (ref. CID-10 S34)

Déficit motor de membros inferiores (grau 3 proximal, grau 2 distal) com controle de tronco parcial e espasticidade de extensores. Transferências com apoio moderado e bipedestação assistida por curtos períodos. Limitação para a marcha funcional e para o controle postural sentado prolongado; restrição importante da independência domiciliar e da participação social.

9. Paralisia facial periférica (Bell) — fase subaguda (ref. CID-10 G51.0)

Disfunção da mímica facial à direita com déficit de oclusão palpebral, apagamento do sulco nasolabial e assimetria ao sorrir (House-Brackmann grau IV). Limitação para fechar o olho completamente — com risco de exposição corneana —, beber em copo sem escape e expressar emoções; restrição do convívio social por constrangimento.

Respiratória e cardiopulmonar

10. DPOC — dispneia aos esforços (ref. CID-10 J44)

Disfunção do padrão ventilatório com uso de musculatura acessória, déficit de expansibilidade torácica e dessaturação ao esforço (SpO₂ 91% pós-exercício), associada a baixa tolerância ao exercício — interrompe ao subir um lance de escada (mMRC 2). Limitação para deslocamentos a pé e tarefas domésticas com esforço; restrição da participação em atividades de lazer e da autonomia funcional.

Saúde da mulher e fisioterapia pélvica

11. Incontinência urinária de esforço (ref. CID-10 N39.3)

Disfunção da musculatura do assoalho pélvico com déficit de força (Oxford grau 2) e de coordenação na pré-contração, com perda urinária a esforços de pressão intra-abdominal (tosse, espirro, levantar peso). Limitação para atividade física e para rir ou tossir sem proteção; restrição da participação em atividades sociais por receio de perda.

Geriatria

12. Idoso com risco de queda (ref. CID-10 R26.8)

Déficit de equilíbrio estático e dinâmico (Berg 41/56), fraqueza de membros inferiores (teste de sentar e levantar cinco vezes em 16 s) e marcha com base alargada e cautelosa. Timed Up and Go 15 s, agravado em dupla-tarefa. Limitação para deslocamentos externos e em superfícies irregulares; restrição da autonomia para sair sozinho, com medo de cair que reduz a atividade.

Esportiva

13. Entorse de tornozelo grau II — retorno ao esporte (ref. CID-10 S93.4)

Déficit residual de propriocepção e de potência unilateral de membro inferior (hop test a 85% do contralateral), com amplitude e força já recuperadas e sem dor nas atividades diárias. Limitação para mudanças de direção em velocidade máxima e aterrissagem unipodal controlada; restrição temporária do retorno à prática de basquete.

Vestibular

14. VPPB de canal posterior à direita (ref. CID-10 H81.1)

Disfunção vestibular periférica com vertigem posicional desencadeada à movimentação cefálica e teste de Dix-Hallpike positivo à direita (nistagmo torsional). Déficit de equilíbrio em mudanças posturais rápidas. Limitação para deitar, virar na cama e olhar para cima; restrição da direção veicular e do retorno ao trabalho por insegurança.

Pediatria

15. Atraso do desenvolvimento neuropsicomotor — lactente (ref. CID-10 R62.0)

Atraso na aquisição de marcos motores para a idade cronológica, com déficit de controle cervical e de tronco e reações de equilíbrio incompletas, sem aquisição do sentar independente esperado. Limitação para a exploração do ambiente e para a transição entre posturas; impacto no desenvolvimento de habilidades funcionais subsequentes.

O padrão por trás dos quinze

Releia os exemplos e você vê o mesmo esqueleto em todos: uma disfunção nomeada, um déficit com número, uma limitação concreta de atividade e uma restrição de participação. É essa combinação que faz o diagnóstico funcionar como peça central do relatório — e não como apêndice do CID do médico.

Três cuidados fecham a conta:

  • Não invente CID. Se o encaminhamento não traz o código, descreva a condição e formule o seu diagnóstico funcional; o CID, se ausente, fica a cargo do médico. (Por que essa fronteira importa.)
  • Ancore no número. “Limitação de flexão” é opinião; “flexão de ombro a 130°, arco doloroso 70–110°” é fato — e é o que permite provar evolução na reavaliação.
  • Padronize onde o diagnóstico mora. Desde 2022, o COFFITO instituiu a CBDF (Classificação Brasileira de Diagnósticos Fisioterapêuticos, Resolução 555/2022) justamente para padronizar e codificar esses diagnósticos. Independentemente da codificação, o que se repete a cada paciente é a estrutura acima.

Quando o caso pede detalhamento funcional padronizado — convênios, perícias, casos crônicos —, é a CIF que codifica esse impacto. A relação entre CID, diagnóstico cinético-funcional e CIF está neste artigo.


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Perguntas frequentes

O que é diagnóstico cinético-funcional?
É o diagnóstico que o fisioterapeuta está habilitado a formular: a análise do estado funcional do paciente — déficits de movimento, força, equilíbrio, tônus e dor, e o impacto disso nas atividades e na participação. Diferente do diagnóstico médico, que nomeia a doença em CID, o diagnóstico cinético-funcional descreve as consequências funcionais e orienta o plano de tratamento. É competência reconhecida e respaldada pelo COFFITO.
O fisioterapeuta pode fazer diagnóstico?
Pode, e deve — o diagnóstico cinético-funcional. O que o fisioterapeuta não faz é fechar o diagnóstico da doença (atribuir um CID por conta própria), que é ato médico. Avaliar a função, identificar a disfunção do movimento e formular o diagnóstico funcional é a essência da autonomia da profissão.
Posso copiar um exemplo de diagnóstico cinético-funcional pronto?
Não literalmente. O diagnóstico é o resultado da sua avaliação de um paciente real — copiar uma frase que não corresponde ao que você examinou é falha técnica e ética. Os exemplos servem como referência de estrutura, vocabulário e nível de detalhe: adapte cada elemento ao déficit, à limitação e à restrição que você de fato observou.
Qual a diferença entre diagnóstico cinético-funcional e CID?
O CID classifica a doença (ex.: M54.5 — lombalgia) e é atribuído pelo médico. O diagnóstico cinético-funcional descreve o que essa condição faz com o movimento e a função (ex.: déficit de controle motor de tronco, limitação para permanecer sentado, restrição da jornada de trabalho). São complementares: um nomeia a causa, o outro descreve a disfunção que você vai tratar.

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