A guia SP/SADT tem mais de sessenta campos, e boa parte deles foi desenhada para exame de imagem, cirurgia e internação. É aí que a recepção se perde: campo que deveria ficar vazio é preenchido “para não deixar em branco”, e campo que decide o pagamento é copiado da guia do mês passado, com o erro do mês passado junto.
O resultado aparece semanas depois, no demonstrativo, como uma sessão a menos. E quase nunca o problema foi clínico.
Este guia percorre a guia na ordem do modelo da ANS, bloco por bloco, dizendo o que vai em cada campo quando quem executa é o fisioterapeuta e quais ficam em branco. No fim há um checklist para conferir antes de fechar.
Antes do primeiro campo: três coisas que mudam a leitura
1. Sessão vai na SP/SADT; a avaliação, em geral, vai na guia de consulta. São documentos diferentes, com códigos diferentes. Os códigos de cada um estão no guia de códigos TUSS da fisioterapia. Aqui o foco é o preenchimento.
2. Procure o campo pelo nome, não pelo número. O modelo da ANS numera os campos, mas o portal de cada convênio organiza a tela do jeito dele, e o número que você vê na tela raramente bate com o da guia em papel.
3. O papel e o arquivo não levam as mesmas coisas. Quando a cobrança vai por lote XML, o que vale é o arquivo, e ele ficou mais enxuto: na versão 4.00 do padrão TISS, o nome do paciente e o número do Cartão Nacional de Saúde saíram do arquivo. Hoje, no arquivo, quem identifica o paciente é o número da carteirinha. O nome continua na guia em papel, que é a via que o paciente assina e que a auditoria pede.
A consequência prática é simples: carteirinha com um dígito trocado não é “quase certa”. No arquivo, é outro beneficiário, ou nenhum.
Cabeçalho
| Campo | O que vai na fisioterapia |
|---|---|
| Registro ANS | Os 6 dígitos de registro do convênio na ANS. Estão no contrato e no portal do prestador, e não mudam |
| Nº da guia no prestador | O seu número para esta guia. Sequencial e nunca repetido: é por ele que o demonstrativo vai citar a guia quando pagar ou glosar |
| Nº da guia principal | Em branco na sessão ambulatorial comum. Só é usado quando o convênio manda vincular esta guia a outra |
| Nº da guia atribuído pela operadora | Se o convênio devolveu um número próprio ao autorizar, copie exatamente como veio. Se não devolveu, fica em branco |
Um detalhe sobre o número da guia: há convênios que exigem que o número da guia no prestador seja o mesmo que eles forneceram na autorização. Quando é o caso, a regra está no manual do prestador, e ignorá-la faz o convênio não encontrar a guia na conferência.
Dados da autorização: onde nasce a maior parte das glosas
Este bloco transcreve o que o convênio autorizou. Não há interpretação aqui: é copiar o que veio e conferir.
- Data da autorização. O dia em que o convênio autorizou. Nenhuma sessão da guia pode ser anterior a essa data. Atender “enquanto a senha não sai, para não perder o paciente” é um dos jeitos mais comuns de ter uma sessão glosada com o atendimento impecável.
- Senha. Exatamente como veio, com letras, números e zeros à esquerda.
- Data de validade da senha. O prazo da autorização. Sessão feita depois dessa data está fora da cobertura, mesmo que ainda haja saldo de sessões autorizadas.
- Código de validação. Alguns convênios exigem um código gerado no atendimento, normalmente o token que o paciente gera no aplicativo do plano, para comprovar que ele estava lá. Se o seu convênio usa, o manual diz quando pedir e onde informar. Se não usa, o campo fica em branco.
O paciente que faltou duas semanas e voltou é o caso clássico: ainda há saldo de sessões, mas a senha venceu. Vale olhar a validade na hora de agendar, não na hora de fechar a guia.
Dados do beneficiário
- Número da carteira. Igual ao cartão, dígito por dígito, incluindo zeros à esquerda. Confira no cartão ou no aplicativo do plano a cada nova autorização: quando o paciente troca de plano dentro do mesmo convênio, o número pode mudar.
- Nome. Na guia em papel, como está na carteirinha. No arquivo, como vimos, ele não vai mais.
- Atendimento a recém-nascido. “Não” em praticamente toda a fisioterapia. “Sim” só quando o bebê é atendido na carteirinha da mãe ou do titular, o que a lei dos planos garante nos primeiros 30 dias depois do parto, nos planos com cobertura obstétrica (Lei 9.656/1998, art. 12). É o caso típico da fisioterapia respiratória neonatal.
Dados do solicitante: quem pediu, não quem atende
É o bloco em que a recepção mais se confunde, porque o nome do fisioterapeuta está na ponta da língua. Mas o solicitante é quem assinou o pedido, na maioria dos casos o médico. Quem atende vai mais adiante, no bloco do profissional executante.
| Campo | O que vai |
|---|---|
| Código na operadora / CPF / CNPJ | A identificação, no convênio, de onde veio o pedido: o consultório, a clínica ou o hospital do médico |
| Nome do contratado | O nome desse consultório, clínica ou hospital |
| Nome do profissional solicitante | O nome do médico como está no pedido |
| Conselho profissional | O código do conselho dele: 06 para CRM |
| Número no conselho | O CRM que está no pedido |
| UF | O estado do conselho |
| Código CBO | A ocupação de quem pediu: 225270 para ortopedista e traumatologista, 225160 para fisiatra, 225125 para médico clínico |
Três situações que fogem do caso comum:
- O médico não é credenciado no convênio, ou você não tem o código dele. O padrão prevê valores reservados para isso, entre eles o CBO 999999, de “não informado”. Antes de usar, confirme no manual se o seu convênio aceita.
- O paciente veio sem pedido médico. A fisioterapia pode atender sem encaminhamento, e há convênios que aceitam o próprio fisioterapeuta como solicitante: nesse caso o bloco leva os seus dados, com o conselho 05 (CREFITO) e o seu CBO. Mas a maioria exige o pedido médico para autorizar a série, e aí não há o que preencher sem ele. Quem decide é o contrato; a parte do conselho está no artigo sobre atender sem encaminhamento médico.
- A UF é sigla no papel e número no arquivo. No XML, a UF vai como código do IBGE: São Paulo é 35, Minas Gerais é 31. Quem gera o arquivo precisa fazer essa conversão, e sistema que grava “SP” gera arquivo reprovado.
Dados da solicitação
- Caráter do atendimento. 1 (eletivo) para praticamente toda a fisioterapia ambulatorial. O 2 (urgência ou emergência) é para urgência de fato, como a fisioterapia respiratória num pronto-socorro. Marcar urgência para a autorização “andar mais rápido” é informação errada numa guia que a auditoria confere com o pedido.
- Data da solicitação. A data do pedido médico, não a da primeira sessão. Muitos convênios só aceitam o pedido dentro de um prazo de validade, definido no manual. Pedido antigo é motivo comum de negativa já na autorização.
- Indicação clínica. O motivo do tratamento, copiado do pedido. No arquivo, o campo aceita até 500 caracteres, e vários convênios recusam a guia sem ele. Não é o lugar do seu diagnóstico cinético-funcional, que fica no prontuário.
- CID. A guia SP/SADT não tem campo próprio para o CID no padrão atual. Quando o convênio exige, o manual diz onde informar: em geral junto da indicação clínica ou num campo do portal. O CID é o do pedido, e a tabela dos principais CIDs da fisioterapia ajuda a conferir se ele é coerente com o que você está faturando.
Na guia em papel, este bloco ainda traz os procedimentos solicitados: tabela, código, descrição, quantidade solicitada e quantidade autorizada. A primeira é o que o médico pediu; a segunda, o que o convênio autorizou. As duas podem ser diferentes, e quem manda na guia é a autorizada.
Dados do contratado executante
É a identificação de quem executou: a clínica, ou você, se é credenciado como pessoa física.
- Código na operadora / CPF / CNPJ. Como o convênio identifica o prestador: o código que ele te deu, o CNPJ da clínica ou o seu CPF. Na dúvida, use o mesmo que aparece nas guias que já foram pagas.
- Nome do contratado. A razão social, ou o seu nome, como está no credenciamento.
- Código CNES. Os 7 dígitos do CNES. Sem CNES, o padrão aceita o valor reservado 9999999, mas alguns convênios recusam. E o cadastro é obrigatório para o estabelecimento de saúde mesmo que ele só atenda particular.
Dados do atendimento: o bloco que mais mudou
Aqui são três escolhas, e duas delas confundem quem aprendeu a preencher guia em versões anteriores do padrão.
Tipo de atendimento: 03 (outras terapias). É o tipo das sessões de fisioterapia, salvo orientação diferente no manual do convênio. O 04 (consulta) é da consulta, não da sessão.
Regime de atendimento: onde o atendimento aconteceu. No padrão exigido hoje (4.03.00), o campo é obrigatório:
| Regime | Quando usar |
|---|---|
| 01 — Ambulatorial | Consultório ou clínica |
| 02 — Domiciliar | Atendimento na casa do paciente |
| 05 — Telessaúde | Teleatendimento |
A mudança que mais pega: o antigo tipo de atendimento 06, “atendimento domiciliar”, não existe mais na lista. O lugar do atendimento saiu do tipo e foi para o regime. Na fisioterapia domiciliar, a sessão é tipo 03 com regime 02. Guia preenchida do jeito antigo reprova na validação do arquivo. No teleatendimento, o regime é 05.
Indicação de acidente. 9 (não é acidente) na maioria dos casos. 0 é acidente de trabalho, 1 é acidente de trânsito, 2 são outros acidentes. Copie do pedido e da anamnese, sem escolher o que parece “passar mais fácil”: reabilitação de fratura por acidente de moto marcada como “não é acidente” é informação errada, e a auditoria pode cruzá-la com o pedido médico.
Os outros campos do bloco (tipo de consulta, motivo de encerramento e saúde ocupacional) ficam em branco na sessão de fisioterapia.
Procedimentos realizados: uma linha por sessão
Este é o erro de preenchimento mais caro da fisioterapia: lançar a série inteira numa linha só, com quantidade 10 e a data da última sessão.
O padrão tem uma linha por procedimento executado, cada uma com a sua data. Na terapia seriada, isso significa uma linha por sessão, com a data em que ela aconteceu. É assim que o convênio confere cada data contra a validade da senha, contra a quantidade autorizada e contra a assinatura do paciente. A linha única tira dele essa conferência, e é comum a guia voltar glosada pedindo as datas.
| Campo da linha | O que vai |
|---|---|
| Sequencial | 1, 2, 3, na ordem das sessões |
| Data | A data real da sessão, a mesma da agenda e da evolução |
| Hora inicial e final | Em branco, a não ser que o manual do convênio peça |
| Tabela | 22 para código TUSS; 00 se o convênio usa tabela própria |
| Código e descrição | O código do procedimento como está no contrato. Qual usar em cada caso está no guia de códigos TUSS |
| Quantidade | 1 |
| Via de acesso e técnica | Em branco: são campos de cirurgia |
| Fator de redução ou acréscimo | 1,00, a não ser que o contrato preveja outro |
| Valor unitário e total | O valor da tabela do convênio, não o seu preço particular |
Falta e sessão cancelada não entram. Não existe linha de “sessão não realizada” para cobrar: ou a sessão aconteceu e tem data, evolução e assinatura, ou não vai na guia.
Profissional executante: quem atendeu cada sessão
Cada linha leva a identificação de quem fez aquela sessão:
- Código na operadora ou CPF do profissional
- Nome
- Conselho: 05 (CREFITO)
- Número no conselho e UF
- CBO, o código da ocupação
O CBO do fisioterapeuta geral é 223605. Há códigos por especialidade, como 223625 (respiratório), 223630 (neurofuncional), 223635 (traumato-ortopédico funcional), 223655 (esportivo) e 223660 (do trabalho). Use o que está no seu credenciamento: CBO incompatível com o procedimento é motivo de glosa, e no arquivo o código precisa estar na lista fechada do padrão. Código fora da lista reprova o arquivo inteiro.
Na clínica com mais de um fisioterapeuta, cada sessão sai em nome de quem atendeu naquele dia, e não do responsável técnico nem do dono. Se o convênio credencia cada profissional, a sessão lançada em nome de quem não é credenciado é glosada.
A parte que só existe no papel: datas da série e assinatura do paciente
A guia em papel tem um bloco com as datas de realização dos procedimentos em série e a assinatura do beneficiário ao lado de cada data. Na fisioterapia, é o bloco mais importante da via física: o paciente assina no dia da sessão, na linha daquela data.
- Imprima a guia no começo do ciclo, já com o número definido, e deixe na recepção ou na pasta do paciente.
- Colha a assinatura na saída da sessão, não no fim do mês.
- Confira se as datas assinadas batem com as linhas da guia e com a agenda.
Assinaturas colhidas todas no último dia, com as datas escritas pela recepção, são a primeira coisa que uma auditoria procura. E como muitos convênios pedem a via assinada quando auditam, uma guia sem assinatura por sessão pode colocar em dúvida a série inteira, e não uma sessão só.
Alguns convênios trocaram a assinatura em papel por token ou biometria no aplicativo do plano. Nesse caso, a regra do manual substitui esta seção, mas a lógica é a mesma: uma confirmação do paciente por sessão, no dia.
Observação, totais e assinaturas
- Observação / justificativa. Até 500 caracteres no arquivo. Use para o que o manual do convênio pede e para explicar algo que foge do padrão. Não é lugar de evolução: o convênio que quer justificativa clínica pede relatório, e o modelo de relatório de continuidade mostra o que escrever nele.
- Totais. O total de procedimentos é a soma das linhas. Taxas, materiais, medicamentos, OPME e gases ficam zerados numa sessão comum, a não ser que o contrato pague material à parte. O total geral é a soma de tudo.
- Assinaturas. A do contratado executante e, na guia em papel, a do beneficiário.
Os campos que ficam em branco na fisioterapia
Salvo orientação diferente no manual do convênio:
| Campo | Por que fica em branco |
|---|---|
| Nº da guia principal | Só quando o convênio manda vincular a outra guia |
| Tipo de consulta | É campo da consulta, não da sessão |
| Motivo de encerramento | Não se aplica à sessão ambulatorial |
| Saúde ocupacional | É campo de exame ocupacional (admissional, periódico e afins) |
| Hora inicial e final | Só se o manual pedir |
| Via de acesso e técnica utilizada | São campos de procedimento cirúrgico |
| Grau de participação | É campo de equipe cirúrgica |
| Outras despesas | Só se o contrato pagar material ou taxa à parte |
No arquivo XML, campo em branco simplesmente não aparece: um campo presente e vazio reprova a validação.
Checklist antes de fechar a guia
- Data da autorização, senha e validade copiadas da autorização
- Nenhuma sessão antes da data da autorização nem depois da validade da senha
- Número de linhas igual ou menor que a quantidade autorizada
- Carteirinha idêntica ao cartão, dígito por dígito
- Solicitante é quem assinou o pedido, com conselho, número, UF e CBO dele
- Caráter 1, tipo de atendimento 03 e o regime certo: 01 no consultório, 02 em casa, 05 em telessaúde
- Uma linha por sessão, com a data real e quem atendeu
- Falta e sessão cancelada fora da guia
- Assinatura do paciente em cada data, colhida no dia
- Valores da tabela do convênio, não do particular
Se a guia voltar mesmo assim, o motivo vem codificado no demonstrativo, e o recurso de glosa por motivo mostra como responder a cada um.
No Clinvo, a guia SP/SADT sai da autorização que você já registrou. Senha, data, validade, quantidade e o token, quando o convênio usa, entram uma vez só, junto do solicitante, seja ele um profissional da clínica ou um médico de fora, com conselho, número e UF. Tipo de atendimento, regime, caráter e indicação de acidente vêm do padrão que você define para cada convênio, e podem ser trocados numa autorização específica, como a do paciente atendido em casa. A autorização já nasce com a guia em rascunho e o número definido, pronta para imprimir com as linhas de data e assinatura de cada sessão.
Ao fechar a guia, entram só as sessões marcadas como realizadas, cada uma na sua linha, com a data da agenda e o profissional que atendeu. Antes disso, o Clinvo confere o Registro ANS, a identificação da clínica, a carteirinha, a senha e as datas, a quantidade contra o autorizado e o conselho e o CBO de quem pediu e de quem atendeu, e diz quem corrige o que estiver faltando. Depois, gera a guia em PDF e o arquivo XML do lote no padrão TISS 4.03.00.
O envio continua sendo seu, pelo portal do convênio: o Clinvo não se conecta a ele. O faturamento de convênios está nos planos Profissional e Clínica e é ativado pela clínica. O passo a passo está em registrar a autorização e marcar as sessões. Teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.