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Principais CIDs usados na fisioterapia: tabela de referência por especialidade

Uma lista prática dos códigos CID-10 que mais aparecem na rotina do fisioterapeuta — ortopedia, neuro, respiratória, geriatria — com o que cada um significa e como registrá-los corretamente no prontuário e nos relatórios.

Você abre o encaminhamento, lê “M54.5” e já sabe: mais uma lombalgia. Mas e quando chega “M75.1”, “G81” ou “S83.5”? A maioria dos fisioterapeutas lida com o CID o dia inteiro sem nunca ter uma referência organizada por perto — e acaba decorando alguns códigos no susto e procurando o resto no Google a cada relatório.

Este texto é uma referência de consulta. Não é sobre a teoria do CID (a diferença entre CID e CIF está neste outro artigo) — é a lista prática dos códigos que de fato aparecem na rotina, organizados por área, para você ter à mão na hora de registrar.

Antes da tabela: o que o fisioterapeuta faz com o CID

Vale deixar claro de início, porque é fonte de confusão. O CID classifica a doença, e o diagnóstico de doença é ato médico. O fisioterapeuta não cria o CID — ele registra o que veio no encaminhamento e formula, em cima disso, o seu próprio diagnóstico cinético-funcional. Essa fronteira tem implicações práticas que valem um texto à parte (aqui).

Para esta referência, o que importa: o CID que você anota vem do documento médico do paciente. A tabela abaixo serve para reconhecer e registrar esses códigos com precisão.

Ortopedia e traumatologia

A maior fatia da fisioterapia. São os códigos mais frequentes na clínica geral:

CódigoCondição
M54.5Dor lombar baixa (lombalgia)
M54.4Lumbago com ciática
M54.2Cervicalgia
M51.1Transtornos de disco lombar com radiculopatia
M75.1Síndrome do manguito rotador
M75.0Capsulite adesiva do ombro (ombro congelado)
M77.1Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
M17Gonartrose (artrose do joelho)
M16Coxartrose (artrose do quadril)
M23.2Lesão de menisco
M25.5Dor articular
M65Sinovite e tenossinovite
M67.4Cisto sinovial (gânglio)
S83.5Entorse/lesão do ligamento cruzado do joelho
S82Fratura da perna, incluindo tornozelo
S42Fratura do ombro e do braço

Coluna e postura

CódigoCondição
M40Cifose e lordose
M41Escoliose
M47Espondilose
M48.0Estenose do canal vertebral
M53.2Instabilidades da coluna
M99Lesões biomecânicas (uso em quiropraxia/osteopatia)

Neurofuncional

Onde a CIF costuma ganhar peso no relatório, porque a evolução é medida em função, não em cura:

CódigoCondição
I69Sequelas de doenças cerebrovasculares (sequelas de AVC)
G81Hemiplegia
G82Paraplegia e tetraplegia
G80Paralisia cerebral
G35Esclerose múltipla
G20Doença de Parkinson
G12.2Doença do neurônio motor (ELA)
G62Polineuropatias
S14 / S24 / S34Lesão de medula (cervical/torácica/lombar)

Respiratória e cardiopulmonar

CódigoCondição
J44DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica)
J45Asma
J18Pneumonia
J47Bronquiectasia
I50Insuficiência cardíaca
U09Condição pós-COVID-19

Geriatria

CódigoCondição
M81Osteoporose sem fratura patológica
M80Osteoporose com fratura patológica
R26Anormalidades da marcha e da mobilidade
R29.6Tendência a quedas
F03Demência não especificada
S72.0Fratura do colo do fêmur

Pediatria e neuropediatria

CódigoCondição
G80Paralisia cerebral
Q90Síndrome de Down
F82Transtorno do desenvolvimento da coordenação motora
P07Transtornos ligados à prematuridade
Q66Deformidades congênitas do pé (pé torto congênito)

Saúde da mulher / pélvica

CódigoCondição
N39.3Incontinência urinária de esforço
N39.4Outras incontinências urinárias
R32Incontinência urinária não especificada
N81Prolapso genital feminino
O80–O84Parto (contexto de reabilitação pós-parto)

Como registrar o CID sem errar

Ter o código certo é metade. A outra metade é registrá-lo de forma que ele sirva depois — no relatório, no encaminhamento de volta ao médico, na continuidade do tratamento.

Registre o código junto da descrição. “M54.5” sozinho exige que o leitor consulte a tabela. “M54.5 — Lombalgia” é autoexplicativo. Em relatórios, sempre a forma completa.

Vincule ao paciente, não à sessão solta. O CID é da condição que motivou o tratamento — ele acompanha o caso do início ao fim. Registrado na anamnese, fica disponível para todos os documentos sem você redigitar a cada emissão.

Trate como dado sensível. Diagnóstico é informação protegida pelo sigilo profissional e pela LGPD. Só entra em documento com necessidade real e autorização do paciente — atestado de comparecimento, por exemplo, dispensa CID.

Mantenha sua própria lista curta. Você não usa o CID-10 inteiro. Usa um conjunto recorrente, ligado à sua especialidade. Uma referência interna com os 20 a 30 códigos que mais aparecem resolve quase todos os atendimentos e evita a consulta repetida.

A tabela é referência, não substituto do encaminhamento

Esta lista cobre o que mais aparece, mas dois cuidados valem sempre: o código oficial deve ser confirmado nas fontes (Datasus e OMS mantêm o CID-10 consultável gratuitamente), e o CID-11 já está em transição gradual no Brasil — vale acompanhar a migração para não trabalhar com referência defasada.

E o principal: o código que vale é o do diagnóstico médico do paciente. A tabela ajuda você a reconhecer e registrar esse código com precisão — não a atribuí-lo por conta própria.


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Perguntas frequentes

Quais são os CIDs mais usados na fisioterapia?
Na ortopedia, os mais frequentes são M54.5 (lombalgia), M75 (lesões do ombro), M17 (gonartrose/artrose do joelho), M51 (transtornos dos discos intervertebrais) e M25.5 (dor articular). Na neuro, I69 (sequelas de AVC), G80 (paralisia cerebral) e G35 (esclerose múltipla). Na respiratória, J44 (DPOC). Na geriatria, M81 (osteoporose) e R26 (anormalidades da marcha). O conjunto exato varia com a sua área de atuação.
Onde encontro o código CID de um diagnóstico?
O CID-10 está disponível gratuitamente para consulta no site do Datasus e da OMS. Na prática, o código geralmente já vem no encaminhamento ou no pedido médico do paciente — o fisioterapeuta o registra a partir desse documento, não o cria. Quando o encaminhamento não traz o código, você pode localizá-lo pela descrição da condição nas tabelas oficiais.
O fisioterapeuta precisa decorar os códigos CID?
Não. O que faz sentido é montar uma referência interna com os 20 a 30 códigos que mais aparecem na sua especialidade e deixá-la à mão. A maioria das clínicas trabalha com um conjunto pequeno e recorrente de condições, então uma lista própria resolve o dia a dia sem precisar consultar a tabela inteira a cada atendimento.
Atestado de fisioterapia precisa de CID?
Não obrigatoriamente. O atestado de comparecimento apenas confirma que o paciente esteve na clínica em determinada data e dispensa CID. Incluir o código de diagnóstico em qualquer documento exige autorização do paciente, por ser dado sensível protegido pelo sigilo e pela LGPD — então só se inclui quando há necessidade e consentimento.

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