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Modelo de anamnese de fisioterapia pronto para usar: estrutura campo a campo

A estrutura completa da anamnese de fisioterapia para copiar e adaptar: 12 blocos, do dado de identificação ao plano de tratamento, com as adaptações por especialidade e o que o COFFITO exige que conste.

Toda primeira consulta começa igual: paciente novo, prancheta (ou tela) na mão e a pergunta — o que exatamente eu preciso registrar?

Este é o modelo para responder isso de uma vez. A estrutura completa, em 12 blocos, pronta para copiar para a sua ficha — em papel, formulário ou sistema — com as adaptações por especialidade no final. Sobre o que escrever dentro de cada campo para o registro ser útil meses depois, o guia complementar é este artigo sobre preenchimento.

A estrutura completa, em 12 blocos

1. Identificação

  • Nome completo, data de nascimento, CPF
  • Contato (telefone/WhatsApp) e contato de emergência
  • Profissão e ocupação atual (o que a pessoa faz no dia a dia, não só o cargo)
  • Encaminhamento: quem indicou ou encaminhou, com especialidade do médico se houver

2. Queixa principal

  • A queixa nas palavras do paciente, entre aspas
  • Desde quando
  • O que o paciente espera do tratamento (a expectativa dele, não a sua)

3. História da doença atual (HDA)

  • Início: súbito ou gradual? Houve evento desencadeante?
  • Evolução desde o início: melhorou, piorou, estabilizou?
  • Caráter e comportamento da dor/sintoma: o que piora, o que alivia, em que horário
  • Tratamentos já tentados e resultado de cada um
  • Episódios anteriores semelhantes

4. História patológica pregressa (HPP)

  • Doenças diagnosticadas (hipertensão, diabetes, cardiopatias, osteoporose…)
  • Cirurgias, com ano
  • Fraturas e lesões anteriores relevantes
  • Alergias

5. Medicamentos em uso

  • Nome, dose e para quê — incluindo analgésicos e anti-inflamatórios por conta própria
  • Anticoagulantes e corticoides merecem destaque: mudam conduta

6. Exames complementares

  • Exames de imagem que o paciente trouxe: tipo, data, achado principal
  • Registre o laudo relevante, não “trouxe ressonância”

7. Hábitos e contexto de vida

  • Atividade física: o quê, frequência
  • Tabagismo, álcool, qualidade do sono
  • Rotina de trabalho e postura predominante (sentado? carga? repetição?)
  • Com quem mora / apoio para o tratamento (importa em idosos e neurológicos)

8. Exame físico

  • Sinais vitais quando pertinente (PA, FC, SpO₂)
  • Inspeção: postura, marcha, trofismo, edema, cicatrizes
  • Palpação: pontos dolorosos, tensão, temperatura
  • Amplitude de movimento (ADM): em graus, por movimento — goniometria quando possível
  • Força muscular: graduada (0–5), por grupo
  • Dor: escala EVA/EN de 0 a 10, em repouso e em movimento
  • Testes especiais da sua área, com resultado (positivo/negativo)

9. Avaliação funcional

  • O que o paciente não consegue fazer que precisava ou queria fazer: subir escada, vestir-se, pegar o filho no colo, correr 5 km
  • Escalas e instrumentos validados da sua área, com o escore de hoje — é o que torna a evolução demonstrável depois

10. Diagnóstico cinético-funcional

  • A sua conclusão como fisioterapeuta: a disfunção de movimento/função, não a repetição do CID do encaminhamento
  • Quando fizer sentido, estruture com CIF

11. Objetivos do tratamento

  • De curto prazo (2–4 semanas) e de longo prazo, mensuráveis: “reduzir EVA de 7 para ≤3 em 4 semanas”, “subir um lance de escada sem apoio”
  • Construídos com o paciente — objetivo que ele não reconhece como dele não sustenta adesão

12. Plano de tratamento

  • Frequência semanal e duração estimada
  • Condutas principais previstas
  • Data prevista de reavaliação
  • Orientações dadas na primeira sessão

Adaptações por especialidade

A espinha dorsal acima vale para tudo. O que cada área acrescenta:

  • Ortopédica / esportiva: mecanismo de lesão detalhado, nível de atividade prévio, exigência do esporte/função, testes especiais da articulação envolvida.
  • Neurológica: tônus, sensibilidade, equilíbrio (escalas como Berg), função cognitiva e comunicação, nível de independência (Barthel/MIF), histórico do evento neurológico.
  • Pélvica: histórico obstétrico e ginecológico/urológico, hábito intestinal e urinário, diário miccional quando indicado — com atenção redobrada à privacidade do registro.
  • Respiratória / cardiopulmonar: ausculta, padrão respiratório, dispneia (Borg/mMRC), tosse e secreção, tolerância ao esforço (TC6 quando possível).
  • Pediátrica: história gestacional e do parto, marcos do desenvolvimento, queixa na visão dos pais e da criança, contexto escolar.
  • Geriátrica: histórico de quedas nos últimos 12 meses, polifarmácia, cognição, medo de cair, ambiente domiciliar.

Monte uma ficha por área de atuação — não uma ficha única gigante. Campo que nunca se aplica vira campo em branco, e campo em branco custa caro quando o prontuário precisa te defender.

O que o COFFITO espera desse registro

A Resolução COFFITO 414/2012 exige que o prontuário documente avaliação, diagnóstico cinético-funcional, plano e evoluções — e que tudo seja identificável e recuperável. A anamnese estruturada nos 12 blocos cobre a porta de entrada dessa exigência; os campos obrigatórios do prontuário completo estão detalhados aqui.

Não existe exigência de papel: o registro digital vale, desde que íntegro e disponível. A vantagem prática do digital é que a anamnese fica colada às evoluções do paciente — quem assume o caso (ou você mesmo, seis meses depois) lê a história inteira em sequência.


No Clinvo, a anamnese é digital e fica vinculada ao prontuário do paciente, junto com as evoluções de cada sessão — preenchida no computador ou pelo celular, inclusive no atendimento domiciliar. Teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.

Perguntas frequentes

O que não pode faltar numa anamnese de fisioterapia?
Identificação completa do paciente, queixa principal, história da doença atual, história patológica pregressa, medicamentos em uso, exame físico com medidas objetivas (ADM, força, dor), diagnóstico cinético-funcional, objetivos e plano de tratamento. A Resolução COFFITO 414/2012 exige que o prontuário documente a avaliação e o plano — a anamnese é onde isso começa.
Existe um modelo único de anamnese para todas as áreas da fisioterapia?
Existe uma espinha dorsal comum — os 12 blocos deste modelo — mas cada especialidade acrescenta campos próprios: a ortopédica detalha mecanismo de lesão e testes especiais; a neurológica, tônus e função cognitiva; a pélvica, histórico obstétrico e urinário; a respiratória, ausculta e dispneia. O erro é usar uma ficha genérica sem os campos da sua área, ou uma ficha de outra área cheia de campos que você nunca preenche.
Anamnese de fisioterapia pode ser digital?
Sim. Não há exigência de papel — o que o COFFITO exige é o registro completo, identificável e recuperável. A anamnese digital tem vantagens práticas: não se perde, é legível, fica vinculada às evoluções do paciente e pode ser consultada do celular antes do atendimento.
Quanto tempo deve durar a anamnese na primeira sessão?
Entre 20 e 40 minutos na maioria dos casos, somando conversa e exame físico. Menos que isso costuma significar campos em branco que farão falta; muito mais que isso costuma significar perguntas que não mudam conduta. O modelo estruturado reduz o tempo porque você segue uma sequência em vez de improvisar.

Pare de improvisar. Comece a crescer.

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