O encaminhamento chega com um CID. O COFFITO manda usar a CBDF. O convênio pede CIF no relatório. Três siglas parecidas, e a sensação de que você precisa escolher uma — quando, na verdade, cada uma tem um dono, uma função e um lugar no seu registro.
Este texto separa as três de uma vez. A boa notícia: depois de entender quem é dono de cada uma, a pergunta “qual usar?” praticamente se responde sozinha.
Quem é dono de cada uma
A confusão some quando você olha pela origem e pela finalidade:
| Sigla | O que classifica | De quem é | Quem atribui |
|---|---|---|---|
| CID | Doenças e condições | OMS | Médico |
| CIF | Funcionalidade (de qualquer pessoa) | OMS | Qualquer profissional de saúde |
| CBDF | Diagnóstico fisioterapêutico | COFFITO | Fisioterapeuta |
Repare: a única das três que é sua por definição é a CBDF. O CID é da medicina; a CIF é universal; a CBDF nasceu para codificar exatamente o que você faz.
CID: a doença (não é sua para criar)
O CID classifica doenças. M54.5 é lombalgia, I69 é sequela de AVC. Atribuir um CID significa afirmar que o paciente tem aquela doença — e fechar diagnóstico de doença é ato médico.
Por isso, no seu registro, o CID entra como referência ao diagnóstico médico de origem: você anota o código que veio no encaminhamento, não inventa um. A fronteira entre referenciar e criar o CID — e por que ela importa — está detalhada aqui. Se precisar reconhecer os códigos que mais aparecem na rotina, a tabela de CIDs da fisioterapia resolve.
CIF: a funcionalidade
A CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade) também é da OMS, mas muda o foco: em vez da doença, classifica a funcionalidade — funções e estruturas do corpo, atividades e participação, e fatores ambientais. Ela serve a qualquer profissional de saúde e é especialmente útil quando o caso exige descrever, de forma padronizada, o impacto da condição na vida do paciente.
Na fisioterapia, a CIF ganha peso em relatórios para convênios, perícias e casos crônicos, onde o que interessa não é a cura, e sim a evolução funcional. A relação prática entre CIF e CID está neste artigo.
CBDF: a novidade que é sua (Resolução 555/2022)
Aqui está a peça que muita gente ainda não incorporou. A CBDF — Classificação Brasileira de Diagnósticos Fisioterapêuticos foi instituída pela Resolução COFFITO nº 555/2022 para padronizar e codificar o diagnóstico fisioterapêutico. É a tradução, em código, daquilo que você já formula: o diagnóstico cinético-funcional.
Alguns pontos práticos:
- É obrigatória no prontuário. O Art. 2º da resolução determina que a CBDF seja o padrão para descrever e codificar os diagnósticos fisioterapêuticos, inclusive constando no prontuário.
- Tem estrutura própria. Organiza-se em capítulos: a CBDF S (saúde cinético-funcional sem deficiência) e a CBDF D (deficiências cinético-funcionais, distribuídas por sistemas orgânicos), num código de seis subcódigos.
- O acesso é pela plataforma SICOFITO. O cadastro exige registro no CREFITO. A plataforma não guarda histórico — você gera o diagnóstico codificado e copia o texto ou exporta em PDF para o seu prontuário.
A CBDF não substitui o seu raciocínio: ela codifica o diagnóstico que você formula a partir da avaliação. Se a parte de redigir o diagnóstico ainda trava, os exemplos prontos por especialidade ajudam a calibrar.
Qual usar em cada parte do registro
Com os donos claros, o “qual usar” vira uma questão de lugar — e a resposta costuma ser as três, cada uma no seu campo:
- CID → no campo de diagnóstico clínico de referência, quando há encaminhamento ou diagnóstico médico. Você referencia.
- CBDF → no campo do seu diagnóstico fisioterapêutico. É o padrão exigido pelo COFFITO e o protagonista do seu documento.
- CIF → quando o caso pede detalhar a funcionalidade de forma padronizada (convênio, perícia, crônico). Complementa, não substitui.
Num relatório completo, isso fica assim: “Diagnóstico clínico (CID-10): M51.1” (do médico) seguido de “Diagnóstico fisioterapêutico (CBDF): …” (seu, codificado), e, quando necessário, o detalhamento funcional pela CIF. Cada um no seu lugar, sem misturar quem afirmou o quê — que é justamente o que torna o documento claro e defensável diante de outro profissional, do convênio ou de um perito.
No Clinvo, o diagnóstico fisioterapêutico fica registrado na anamnese e nas evoluções vinculadas ao paciente, separado do CID de referência — do mesmo jeito que o modelo de relatório separa os campos. Você documenta uma vez e emite sem misturar nem redigitar. Teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.