“Quantos pacientes dá para colocar numa hora?” aparece em três momentos da vida de quem tem agenda de fisioterapia: quando o convênio paga pouco e o mês só fecha com a agenda apertada, quando o studio decide quantas vagas abrir por turma, e quando a clínica contrata e precisa saber quanto de atendimento esperar de cada profissional.
O COFFITO tem resposta em número para cada tipo de atendimento. No ambulatório geral, 12 pacientes por turno de 6 horas, ou 2 por hora. Em grupo, 6 por hora. Em domicílio, 1 por hora. O que muda esse número é o tipo de paciente, a duração do seu turno, as avaliações do dia e o lugar onde você atende.
O número de cada tipo de atendimento
Os limites estão na Resolução COFFITO nº 387/2011, que fixou os parâmetros assistenciais da fisioterapia, com a redação dada pela Resolução nº 444/2014. A norma conta pacientes por turno de 6 horas, não por hora. A coluna “por hora” da tabela abaixo é só a divisão por seis, para facilitar a leitura.
| Onde e para quem | Pacientes por turno de 6 horas | Equivale a, por hora |
|---|---|---|
| Ambulatório geral: ortopedia, traumatologia, reumatologia, clínica geral, pós-operatório tardio | 12 | 2 |
| Ambulatório especializado: neurologia, cardiorrespiratória, oncologia, pediatria, geriatria, queimados e outros | 8 | 1,3 |
| Terapias manuais e afins, individual: osteopatia, quiropraxia, Pilates, acupuntura | 8 | 1,3 |
| Hidroterapia, paciente de cuidados mínimos | 12 | 2 |
| Hidroterapia, cuidado intermediário | 6 a 8 | 1 a 1,3 |
| Atendimento em grupo | — | grupo de 6 |
| Domicílio (home care) | 6 | 1 |
Dois detalhes da tabela costumam passar batido. O primeiro: o Pilates individual está no teto do ambulatório especializado (8 por turno), não no do geral. O segundo: onde há faixa, como na hidroterapia de cuidado intermediário, quem escolhe o número dentro dela é o responsável técnico, conforme a complexidade dos pacientes.
E a própria norma chama esses números de “quantitativo máximo”. São o teto que o conselho considera compatível com um atendimento digno, não a produção que se deve esperar de cada fisioterapeuta.
A conta para o seu turno
Os números são de 6 horas porque esse foi o turno usado como base: a jornada de 30 horas semanais da Lei nº 8.856/1994, dividida pelos dias úteis. Para turno maior ou menor, a resolução manda fazer regra de três.
| O seu turno | Ambulatório geral (12 em 6 h) | Especializado ou Pilates individual (8 em 6 h) | Domicílio (6 em 6 h) |
|---|---|---|---|
| 4 horas | 8 | 5 | 4 |
| 6 horas | 12 | 8 | 6 |
| 8 horas | 16 | 10 | 8 |
| 10 horas | 20 | 13 | 10 |
A fração fica de fora. Um turno de 8 horas no especializado dá 10,6 na conta, e o limite é 10: como o número é teto, arredondar para cima já seria passar dele.
O turno de 10 horas está na tabela porque é a rotina de muito autônomo. A lei das 30 horas vale para quem é empregado; quem atende por conta própria não tem jornada imposta, como explica o texto sobre a escala da equipe dentro das 30 horas semanais. O limite por turno, esse sim, acompanha o tamanho do dia.
Avaliação conta diferente
A resolução separa atendimento de consulta. Consulta é a primeira e as seguintes que envolvem anamnese, exame físico e exames complementares: na prática, a avaliação e a reavaliação. E a norma manda descontar. Quando o fisioterapeuta faz consulta, cada uma ocupa o lugar de um atendimento na conta do turno, porque exige mais tempo.
Um turno de 6 horas no ambulatório geral com duas avaliações comporta, pela norma, as duas avaliações e mais dez sessões.
Na agenda real, o desconto costuma ser maior que o da norma. A avaliação leva de 60 a 75 minutos, como mostra o texto sobre quanto tempo reservar para cada tipo de atendimento, o que equivale ao espaço de duas ou três sessões do ambulatório geral. Quem marca avaliação no mesmo horário de uma sessão comum atrasa o turno inteiro antes de chegar perto do limite.
”Ao mesmo tempo”: quando vira atendimento em grupo
A norma não diz como os dois pacientes da hora do ambulatório geral cabem nela: duas sessões de 30 minutos, ou dois pacientes em etapas diferentes da mesma hora. Ela diz quantos. Acima disso, o atendimento deixa de ser individual e passa a ser em grupo, que tem regras próprias:
- Até 6 pacientes por hora, por fisioterapeuta.
- Para quem: pacientes crônicos estabilizados, ou em manutenção e prevenção, que concordem em ser atendidos em grupo.
- Como montar: a resolução pede que o fisioterapeuta equilibre os perfis e os estados de saúde de quem está na mesma turma.
Para o studio, a consequência é direta. A turma de Pilates com 6 alunas e um fisioterapeuta está no teto. Com 8 alunas e um fisioterapeuta, passou dele: o limite é por profissional, então a turma de 8 precisa de dois. Abaixo das 6, o que manda é o número de aparelhos, o espaço da sala e quantas alunas você acompanha com atenção, como detalha o passo a passo para montar a grade de turmas do studio.
O mesmo vale quando você divide um horário em duas turmas, uma particular e outra de convênio, por exemplo. A conta é a soma das duas, porque o limite é de pacientes por fisioterapeuta, não por turma.
Hospital, enfermaria e UTI
A resolução também traz os números do ambiente hospitalar:
| Ambiente | Pacientes por turno de 6 horas | Quem define dentro da faixa |
|---|---|---|
| Enfermaria, paciente de cuidados mínimos | 10 | — |
| Enfermaria e unidades especializadas, cuidado intermediário | 8 a 10 | Responsável técnico de fisioterapia |
| UTI, semi-intensiva, urgência e emergência (adulto, neonatal e pediátrica) | 6 a 10 | Coordenador de fisioterapia |
Só que aqui entra a mudança de 2014. A Resolução 444 deixou explícito que os parâmetros não obrigam outros estabelecimentos de saúde, mesmo quando há fisioterapeuta trabalhando neles. O hospital responde a outras regras. Na UTI, a principal é a da Anvisa: a RDC nº 7/2010 exige no mínimo um fisioterapeuta para cada 10 leitos, nos turnos da manhã, da tarde e da noite.
Para quem a regra vale e o que fica de fora
- Vale para o fisioterapeuta e para a empresa cuja atividade básica é a fisioterapia, que é a clínica com registro de pessoa jurídica no CREFITO.
- Não obriga hospital, clínica médica ou outro estabelecimento de saúde cuja atividade básica não é a fisioterapia.
- Fica fora da resolução: ações de prevenção e promoção da saúde coletiva, palestras, campanhas e a ginástica laboral. Nesses casos, o próprio fisioterapeuta define quantas pessoas atende no turno.
- Dentro das faixas, decide o responsável técnico ou o coordenador de fisioterapia, e a norma pede que essa escolha zele pela dignidade e pela ética profissional.
A resolução não traz penalidade própria. Ela funciona como o número de referência do conselho, e é a norma que prefeituras citam em edital para definir o tempo de cada atendimento que contratam.
Onde o limite aperta de verdade
Quem atende particular em sessão de 50 minutos, com 10 minutos entre um paciente e outro, faz 6 atendimentos em 6 horas: metade do teto do ambulatório geral. Para essa agenda, a norma nunca vai ser o problema. Ela aperta em três situações:
- Convênio que paga pouco. É a conta que empurra a agenda para três ou quatro pacientes por hora, acima dos 2 do ambulatório geral. Antes de credenciar, vale fazer a conta do convênio já com esse teto: se o valor da sessão só fecha acima de 2 por hora, ele não fecha.
- Ambulatório especializado e Pilates individual. O teto é de 8 por turno, ou 1,3 por hora. Sessões de 40 minutos sem intervalo, numa agenda de neurologia, dão 9 atendimentos em 6 horas: um acima.
- Turma com mais de 6 pacientes por fisioterapeuta. Vale para o Pilates e para qualquer outra turma que você conduza sozinho.
No domicílio, a conta costuma ficar abaixo do teto sem esforço: a norma permite 6 pacientes em 6 horas, mas o deslocamento entre uma casa e outra come parte desse tempo, como mostra o texto sobre como organizar os atendimentos fora do consultório.
E a resolução pede mais uma coisa de quem atende esses pacientes: o registro diário da evolução de cada um no prontuário. Doze pacientes no turno são doze evoluções no dia, inclusive na turma, onde cada participante tem a sua, como explica o texto sobre prontuário de sessão em grupo.
No Clinvo, cada serviço tem a própria duração, e é ela que define o tamanho do horário na agenda: 30 minutos para a sessão do ambulatório geral, 45 para a de neurologia, 60 para a avaliação, como você configurar. A agenda não deixa marcar dois atendimentos individuais no mesmo horário do mesmo profissional, e a turma é um serviço em grupo com o número de vagas que você define: até 4 no plano Essencial e, nos planos Profissional e Clínica, o número que você escolher, como os 6 da norma. Cada participante tem o próprio agendamento e a própria evolução no prontuário. Teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.