Você anota “força preservada” ou “fraqueza leve” na avaliação — e, três semanas depois, não sabe dizer se o paciente melhorou de verdade. O problema não é a sua avaliação: é a falta de uma escala. A de Oxford resolve isso com cinco graus que qualquer fisioterapeuta (e qualquer colega que assuma o caso) interpreta igual.
Esta é a tabela de referência, com o que mais falseia o teste. Junto da goniometria (amplitude) e das escalas funcionais, ela compõe o tripé objetivo da avaliação: amplitude, força e função.
A tabela: graus 0 a 5
A escala de Oxford — também chamada de escala MRC (Medical Research Council) — gradua a força no teste muscular manual:
| Grau | O que o paciente faz |
|---|---|
| 0 | Nenhuma contração visível ou palpável |
| 1 | Contração visível/palpável, sem produzir movimento |
| 2 | Movimento na amplitude completa com a gravidade eliminada (plano horizontal) |
| 3 | Movimento na amplitude completa contra a gravidade, sem resistência adicional |
| 4 | Movimento contra a gravidade + resistência moderada |
| 5 | Movimento contra resistência máxima — força normal |
O grau 3 é o divisor de águas: abaixo dele, o movimento só acontece com a gravidade eliminada; a partir dele, há movimento antigravitacional e a progressão passa a ser de carga.
As subdivisões (+ e −)
Na prática, a diferença entre graus inteiros às vezes é grande demais para captar a evolução. Por isso é comum usar subdivisões:
- 4− — tolera resistência leve.
- 4 — tolera resistência moderada.
- 4+ — tolera resistência quase normal (perto do grau 5).
Servem para registrar pequenos ganhos que o grau cheio esconde. A regra é simples: use o mesmo critério em todas as reavaliações, senão o “4−” de hoje não se compara ao “4” de duas semanas atrás.
O que falseia o grau (e como evitar)
Um grau errado leva a conduta errada — e some na reavaliação. Os erros mais comuns:
- Compensação. O paciente usa outro músculo, o impulso ou a gravidade para “completar” o movimento. Estabilize a articulação proximal e observe o padrão.
- Posicionamento variável. Testar sentado numa sessão e deitado na outra muda o papel da gravidade e inviabiliza a comparação. Padronize a posição.
- Resistência inconsistente. Aplicar a força em pontos ou sentidos diferentes a cada vez gera valores que não conversam. Mesmo ponto, mesmo sentido, sempre.
- Não comparar com o lado contralateral. O lado sadio é o seu melhor parâmetro do que é “normal” para aquele paciente.
Da medida ao prontuário
Grau de força só vira evolução quando entra em sequência: “flexores de cotovelo D: grau 3 → 4− → 4 ao longo das sessões” é prova de ganho; “força melhorando” não é nada. Registre o músculo/grupo, o lado e o grau (com a subdivisão, se usar) na avaliação e nas reavaliações — junto da ADM e da escala funcional. É esse conjunto que sustenta a conduta, o relatório e a decisão de alta, e que se conecta ao registro exigido no prontuário.
No Clinvo, o grau de força de cada avaliação fica registrado nas evoluções vinculadas ao paciente, em sequência — então a progressão (grau 3 → 4 → 5) aparece de relance, sem reconstruir de fichas soltas. Teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.