Ir para o conteúdo principal

Goniometria: tabela de valores normais de amplitude de movimento (ADM) por articulação

A tabela de referência que o fisioterapeuta consulta na avaliação: valores normais de ADM de ombro, cotovelo, punho, coluna, quadril, joelho e tornozelo — e como medir para o número valer.

Você está na avaliação, goniômetro na mão, e mede flexão de ombro de 130°. A pergunta seguinte é imediata: 130° é quanto do normal? E aí começa a garimpagem — um PDF de faculdade de doze páginas, um print salvo no celular, ou a memória (“acho que ombro vai até 180”). Toda avaliação repete essa busca.

Este texto é a referência para deixar à mão. Não é sobre a teoria da goniometria — é a lista prática dos valores normais de amplitude de movimento (ADM) por articulação, para consultar na hora de registrar. Antes das tabelas, dois minutos que fazem o número valer.

Antes da tabela: o valor só significa algo se for comparável

Um ângulo isolado diz pouco. “Flexão de joelho 110°” vira informação quando comparado a duas coisas: ao valor normal (para dimensionar o déficit) e à medida anterior do mesmo paciente (para mostrar evolução). A segunda comparação é a que importa no tratamento — e ela só funciona se a técnica for idêntica entre as medidas.

Por isso, registrar o método junto com o número é tão importante quanto o número. “Flexão de joelho 110°” diz menos que “flexão de joelho 110°, decúbito dorsal, eixo no côndilo femoral lateral”. A segunda versão é repetível por você daqui a um mês — ou por um colega que assuma o paciente. É a mesma lógica de aplicar qualquer instrumento de avaliação sempre igual.

E uma ressalva honesta: os valores abaixo são referências consagradas (Marques, AAOS, Kapandji) e há pequenas diferenças entre autores. Não se prenda à terceira casa: escolha uma referência, use sempre a mesma, e meça sempre do mesmo jeito.

Como medir para o número valer

A medida confiável segue quatro pontos, independentemente da articulação:

  1. Posição inicial padronizada. 0° é a posição neutra (anatômica) da articulação. Toda amplitude parte dali.
  2. Eixo no centro de rotação. O eixo (fulcro) do goniômetro alinhado ao centro articular.
  3. Braço fixo e braço móvel. O braço fixo acompanha o segmento proximal de referência; o móvel acompanha o segmento distal durante o movimento.
  4. Plano correto e leitura no fim da amplitude. Movimento no plano do gesto avaliado, leitura no limite ativo (ou passivo, desde que você registre qual).

Feito isso, as tabelas a seguir dão o destino: até onde a articulação deveria ir.

Ombro

MovimentoADM normal
Flexão0–180°
Extensão0–45° (até 60°)
Abdução0–180°
Rotação medial (interna)0–70°
Rotação lateral (externa)0–90°

Cotovelo e antebraço

MovimentoADM normal
Flexão do cotovelo0–145° (até 150°)
Extensão do cotovelo
Pronação do antebraço0–80° (até 90°)
Supinação do antebraço0–80° (até 90°)

Punho

MovimentoADM normal
Flexão0–80°
Extensão0–70°
Desvio radial0–20°
Desvio ulnar0–30°

Coluna cervical

MovimentoADM normal
Flexão0–45°
Extensão0–45° (até 70°)
Inclinação lateral (cada lado)0–45°
Rotação (cada lado)0–60° (até 80°)

Tronco (coluna toracolombar)

MovimentoADM normal
Flexão0–80°
Extensão0–30°
Inclinação lateral (cada lado)0–35°
Rotação (cada lado)0–45°

A flexão lombar isolada costuma ser mais bem avaliada pelo teste de Schober do que pelo goniômetro universal — a goniometria de tronco mede o movimento global, que inclui quadril.

Quadril

MovimentoADM normal
Flexão (joelho fletido)0–120°
Extensão0–30°
Abdução0–45°
Adução0–30°
Rotação medial0–45°
Rotação lateral0–45°

Joelho

MovimentoADM normal
Flexão0–135° (até 140°)
Extensão

A hiperextensão (genu recurvatum) acima de 0° pode ser normal em alguns indivíduos; registre quando presente, porque vira referência na comparação com o lado contralateral.

Tornozelo e pé

MovimentoADM normal
Dorsiflexão0–20°
Flexão plantar0–45° (até 50°)
Inversão0–35°
Eversão0–15° (até 20°)

Da medida ao prontuário: onde o grau vira evolução

Medir bem e perder a medida é o mesmo que não medir. O valor da goniometria está na sequência: flexão de joelho 90° → 110° → 125° ao longo das sessões é a prova visual e numérica do seu trabalho. E esse mesmo grau alimenta o seu diagnóstico cinético-funcional — “déficit de flexão de joelho (0–105°)” é mais forte que “joelho com limitação”.

Anotação em ficha de papel guarda uma medida, mas esconde justamente o que importa: a curva. Para saber se a ADM está ganhando, você teria que folhear cinco fichas e reconstruir a sequência de cabeça — ninguém faz isso no meio do atendimento. O registro estruturado em evoluções por sessão, vinculadas ao mesmo paciente, deixa o histórico em ordem: você abre o prontuário e vê o ganho de relance.

Com o histórico ali, fica fácil o que antes era trabalhoso: mostrar a curva ao paciente virando a tela, montar o relatório com os graus reais e decidir a alta com critério objetivo em vez de “acho que já dá”.


No Clinvo, a goniometria de cada sessão fica registrada nas evoluções vinculadas ao paciente — então os graus que você mede ficam em sequência no prontuário, prontos para comparar, em vez de espalhados em fichas soltas. Você abre e vê a ADM evoluindo. Teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.

Perguntas frequentes

Quais são os valores normais de amplitude de movimento?
Os mais consultados na clínica: ombro com flexão e abdução de 0–180°, cotovelo com flexão de 0–145°, punho com flexão de 0–80° e extensão de 0–70°, quadril com flexão de 0–120°, joelho com flexão de 0–135° e extensão de 0°, e tornozelo com dorsiflexão de 0–20° e flexão plantar de 0–45°. As tabelas completas por articulação estão neste artigo. Os valores variam ligeiramente entre autores — o que importa é usar sempre a mesma referência e a mesma técnica.
Como medir a amplitude de movimento com goniômetro?
Posicione o paciente na postura padrão da articulação (0° é a posição neutra/anatômica), alinhe o eixo do goniômetro ao centro de rotação da articulação, mantenha o braço fixo sobre o segmento proximal de referência e mova o braço móvel acompanhando o segmento distal. Faça o movimento no plano correto, leia o ângulo no fim da amplitude e registre a posição usada junto com o número.
Os valores normais de goniometria variam entre autores?
Sim. Marques, a AAOS (Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos) e Kapandji trazem faixas com pequenas diferenças — alguns listam flexão de cotovelo até 150°, outros 140°. Isso não é problema na prática: o que torna a medida útil é a consistência (mesma referência, mesma posição, mesma técnica), porque a evolução se mede comparando a medida de hoje com a do início, não com o número de um livro.
Qual a amplitude normal de flexão do joelho e do ombro?
A flexão do joelho normal vai de 0° (extensão completa) a cerca de 135° (alguns autores citam até 140°). A flexão do ombro vai de 0° a 180°. São valores de referência para um adulto sem restrição; o que se acompanha no tratamento é a recuperação em direção a esses valores, medida sempre da mesma forma.

Pare de improvisar. Comece a crescer.

14 dias grátis, sem cartão, sem compromisso.

Falar com suporte