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TENS e ultrassom terapêutico na fisioterapia: parâmetros, indicações e quando NÃO usar

Guia de parâmetros de TENS (convencional, acupuntural, breve intenso) e ultrassom terapêutico (contínuo x pulsado, dose), com os cenários em que a evidência recomenda não aplicar — e o que fazer no lugar.

TENS e ultrassom terapêutico continuam no carrinho de quase toda clínica de fisioterapia — mas a evidência que sustentava boa parte do uso deles nos anos 2000 encolheu. Ainda são úteis. Só que menos, e para menos coisas, do que o protocolo padrão costuma sugerir.

Este guia não é sobre abandonar os equipamentos. É sobre saber exatamente quando ligar, com qual parâmetro, e — o ponto que mais separa quem atualiza a prática — quando não ligar.

TENS: os três modos e quando usar cada um

ModoFrequênciaIntensidadeInício do efeitoDuração pós-aplicação
Convencional80–150 HzSensorial (formigamento, sem contração)ImediatoCurta — enquanto ligado
Acupuntural / baixa frequência2–10 HzMotora (contração visível/palpável)Lento (15–20 min)Prolongada — horas
Breve intenso80–150 HzMáxima toleradaImediatoCurta, mas intensa

Convencional é a escolha padrão para dor aguda ou pós-operatória, quando o objetivo é reduzir a dor o suficiente para o paciente tolerar mobilização ativa na própria sessão. Age pela teoria da comporta — bloqueio segmentar rápido, mas que não persiste depois de desligado.

Acupuntural entra quando a dor é mais crônica ou quando você quer um efeito que sobreviva ao fim da sessão, via liberação de opioides endógenos. Exige intensidade mais alta (motora), o que nem todo paciente tolera bem na primeira aplicação — subir gradualmente.

Breve intenso é reservado para procedimentos dolorosos pontuais (mobilização articular agressiva, punção seca) onde você precisa de analgesia imediata e forte por poucos minutos, e não para uso contínuo em sessão.

Eletrodos: posicionar bilateral ou paralelamente à área dolorosa, nunca sobre pele lesionada, marca-passo ou região anterior do pescoço (risco de estimular o seio carotídeo).

Ultrassom terapêutico: contínuo x pulsado

A decisão central não é a frequência do transdutor (1 MHz para tecidos profundos, 3 MHz para superficiais) — é o duty cycle.

  • Contínuo (100%): gera aquecimento tecidual real. Indicado em quadros crônicos, sem sinal inflamatório ativo, quando o objetivo é efeito térmico (aumento de extensibilidade de colágeno, redução de rigidez articular).
  • Pulsado (20% ou 50%): minimiza o aquecimento e preserva os efeitos não térmicos — micromassagem celular, estímulo à permeabilidade de membrana. Indicado em fase aguda/subaguda, sobre tecido inflamado, ou quando o objetivo é reparo tecidual, não calor.

Erro mais comum: aplicar modo contínuo em uma tendinopatia na fase reativa. O aquecimento pode agravar o quadro inflamatório em vez de ajudar — nessa fase, se o ultrassom entrar no protocolo, é pulsado.

Dose: intensidade entre 0,5 e 2,0 W/cm², tempo proporcional à área tratada (a regra prática é 1 a 2 minutos por área equivalente a duas ou três vezes o tamanho do transdutor). Movimento constante do cabeçote — parado, concentra energia em um ponto e aumenta risco de queimadura tecidual profunda, que o paciente não sente na hora.

Quando NÃO usar — a parte que o protocolo genérico pula

TENS:

  • Como conduta isolada em dor crônica musculoesquelética sem exercício associado — o alívio sintomático sem trabalho ativo não muda a trajetória do quadro.
  • Sobre região cervical anterior/carotídea, sobre o coração em paciente cardiopata, e em gestantes na região abdominal/lombar.
  • Em paciente com marca-passo ou desfibrilador implantado, sem liberação médica expressa.

Ultrassom terapêutico:

  • Sobre neoplasia (suspeita ou confirmada), independente da localização.
  • Em fase inflamatória aguda com modo contínuo — se for usar, pulsado, e com ressalva.
  • Sobre placa epifisária em pacientes pediátricos — risco de interferir no crescimento ósseo.
  • Como justificativa para consolidação óssea prolongada, sem investigação de causa — o ultrassom de baixa intensidade tem indicação específica para pseudoartrose, não é solução genérica para “não está consolidando”.
  • Quando a expectativa do paciente é que o aparelho, sozinho, resolva — nesse caso o problema não é o parâmetro, é a conversa que falta ter antes de ligar o equipamento.

O que registrar na sessão

Parâmetro sem registro é parâmetro que não existiu, na prática — nem para você acompanhar evolução, nem para justificar a conduta num relatório para convênio ou médico encaminhante.

  • TENS: modo, frequência, posicionamento dos eletrodos, tempo de aplicação, EVA antes/depois.
  • Ultrassom: frequência do transdutor, duty cycle, intensidade (W/cm²), tempo, área tratada.

Três sessões seguidas com “TENS convencional, 100 Hz, região lombar, 20 min, EVA 7→4” contam uma história de resposta clínica. “Passou TENS” não conta nada — nem para você, seis semanas depois, decidir se continua ou muda de conduta.


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Perguntas frequentes

TENS e ultrassom terapêutico ainda têm respaldo de evidência em 2026?
Sim, mas de forma limitada e específica. O TENS tem evidência consistente para alívio sintomático de dor durante a aplicação, especialmente em dor aguda e pós-operatória. O ultrassom terapêutico tem evidência fraca para os efeitos térmicos/antinflamatórios clássicos, mas segue indicado para efeitos não térmicos específicos, como fonoforese e estímulo à consolidação em pseudoartrose. Nenhum dos dois substitui exercício terapêutico como conduta central — são coadjuvantes, não protocolo principal.
Qual a diferença entre TENS convencional e TENS acupuntural?
O TENS convencional usa alta frequência (80–150 Hz) e baixa intensidade, gera analgesia rápida por bloqueio segmentar (teoria da comporta) e dura enquanto o aparelho está ligado. O TENS acupuntural (ou de baixa frequência) usa 2–10 Hz com intensidade motora, ativa liberação de opioides endógenos, tem início mais lento e efeito residual maior após desligar. A escolha depende do objetivo: alívio imediato para permitir exercício (convencional) ou analgesia mais duradoura (acupuntural).
Ultrassom pulsado ou contínuo: qual escolher?
O modo contínuo gera aquecimento tecidual e é usado para efeitos térmicos em tecido sem sinais inflamatórios agudos. O modo pulsado (duty cycle de 20% ou 50%) reduz o aquecimento e é preferido em quadros inflamatórios agudos, sobre implantes metálicos superficiais ou quando o objetivo é o efeito não térmico — como estímulo à reparação tecidual. Aplicar contínuo em fase aguda é um dos erros mais comuns na prática.
Em quais situações o ultrassom terapêutico é contraindicado?
Contraindicações absolutas: sobre tumores, gestação (região abdominal/lombar), marca-passo cardíaco na região do gerador, tromboflebite, sobre placa epifisária em crianças e sobre olhos, coração e órgãos reprodutivos. Contraindicações relativas que exigem ajuste de parâmetro: próximo a implantes metálicos, sobre áreas de sensibilidade alterada e em processos infecciosos ativos.

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