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Como contratar o segundo fisioterapeuta: quando vale, o que custa e como não errar

Contratar outro fisioterapeuta é o passo que transforma um consultório em clínica. Mas feito errado, é o passo que quebra o caixa. Veja como calcular, o que negociar e o que o COFFITO exige.

Contratar o segundo fisioterapeuta é o passo que mais assusta — e que mais transforma.

Até aqui, tudo que entrava dependia de você. Agora você vai dividir a receita, o espaço, a reputação da clínica com outra pessoa. Feito certo, é o que multiplica o negócio. Feito errado, é o que consome o caixa e gera conflito.

Este artigo é sobre fazer certo.

Como saber que é a hora

O sinal mais claro é simples: agenda cheia por pelo menos 3 meses consecutivos, com lista de espera ativa.

Não agenda “quase cheia”. Não “às vezes lotada”. Cheia de forma consistente, com pacientes novos sendo recusados com regularidade.

Se isso está acontecendo há menos de 3 meses, espere. Pode ser sazonalidade. Pode ser um pico pontual. Contratar no pico e ver a demanda cair nos meses seguintes é um dos erros mais caros que uma clínica pequena pode cometer.

Além da agenda, verifique o financeiro. O segundo fisioterapeuta precisa gerar ao menos 30 a 40% mais receita do que o custo total dele para valer. Se você vai pagar R$ 3.000 por mês (na modalidade que for), ele precisa gerar ao mínimo R$ 4.000 a R$ 4.200 em receita nova — não em faturamento bruto que você já teria sem ele.

CLT ou PJ: a conta que ninguém faz direito

A maioria das clínicas pequenas usa o modelo de percentual sobre produção como PJ. É mais simples, mais flexível e mais comum no mercado. Mas tem um risco jurídico importante.

Se a relação tiver exclusividade, horário fixo e subordinação clara, existe risco de reconhecimento de vínculo empregatício — mesmo com contrato de PJ. Isso significa que uma reclamação trabalhista pode chegar anos depois com todos os encargos retroativos.

Modelo CLT: custo real é aproximadamente 1,7x o salário bruto. Salário de R$ 3.000 custa cerca de R$ 5.100 quando você soma FGTS, 13º, férias, INSS patronal e benefícios mínimos. Mais caro no curto prazo, mais seguro juridicamente.

Modelo PJ com percentual: sem vínculo, sem encargos patronais. O fisioterapeuta recebe uma porcentagem sobre cada sessão realizada. O custo é variável — se ele não atender, você não paga. Mais arriscado juridicamente se mal estruturado.

O modelo de percentual é o mais praticado em clínicas de fisioterapia pequenas. Mas o contrato precisa estar bem redigido, com advogado.

O percentual justo

O mercado pratica entre 40% e 60% do valor da sessão para o fisioterapeuta.

A variação depende de quem traz os pacientes e quem arca com os custos:

SituaçãoPercentual razoável
Você gera a demanda, paga os insumos e o espaço40–45%
Demanda é mista (clínica + carteira própria dele)48–52%
Ele traz a carteira de pacientes, você oferece o espaço55–60%

Qualquer combinado oral vira problema quando o dinheiro aperta. Coloque no contrato: valor da sessão de referência, percentual, forma de pagamento, frequência de comissão e o que acontece em caso de cancelamento do paciente.

O que o COFFITO exige

Toda empresa que presta serviços de fisioterapia precisa de um Responsável Técnico (RT) — o fisioterapeuta com cadastro ativo no CREFITO regional, responsável pela qualidade dos atendimentos.

Se você já tem CNPJ de clínica registrado no CREFITO, você provavelmente já é o RT. Quando contratar outro fisioterapeuta:

  • Ele precisa ter registro ativo no CREFITO — sem exceção
  • Ele atende sob a sua Responsabilidade Técnica — os prontuários precisam estar em ordem
  • Se a clínica ainda não tem registro no CREFITO, regularize antes de contratar

Verifique na regional do seu estado os requisitos específicos, pois algumas têm exigências adicionais de espaço físico para a renovação do registro com mais de um profissional.

O que preparar antes do primeiro dia dele

O maior erro de quem contrata pela primeira vez é achar que o profissional vai “se adaptar” sozinho.

Ele vai ter dúvidas sobre como funciona a agenda, como registrar atendimentos, como lidar com os pacientes da clínica. Se você não tiver isso documentado — ou pelo menos organizado —, você vai responder as mesmas perguntas dezenas de vezes.

Antes do primeiro dia, defina:

Como o paciente é atribuído a cada profissional. Paciente novo que liga: quem atende? Tem preferência? Existe especialidade de cada um que deve direcionar a escolha?

Como o prontuário funciona. Quem cadastra, quem evolui, onde ficam as anotações. Se cada um fizer do seu jeito, o histórico do paciente vira um problema quando ele troca de profissional.

Como a comissão é calculada e paga. Com que frequência, com base em qual relatório, em qual conta. Deixar isso vago é receita para desentendimento.

O que ele pode decidir sozinho e o que precisa passar por você. Desconto para paciente, reagendamento fora do padrão, combinados sobre pacote. Sem esse alinhamento, a política da clínica vai ser diferente dependendo de quem o paciente pergunta.

O erro mais comum

Contratar cedo demais por medo de perder a onda.

A demanda parece estar ótima, você fica com receio de que vai passar, e decide contratar antes de ter a estrutura pronta. O novo profissional chega, a agenda não sustenta dois, o caixa começa a apertar, e você fica meses pagando alguém para trabalhar abaixo da capacidade.

A regra é simples: lista de espera ativa por 3 meses consecutivos. Antes disso, aguente. Depois disso, contrate rápido.


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Perguntas frequentes

Quando é o momento certo para contratar o segundo fisioterapeuta na clínica?
O sinal mais claro é a agenda cheia por pelo menos 3 meses consecutivos, com lista de espera ativa. Outro indicador importante: você está recusando pacientes novos com regularidade. A regra prática é que o segundo fisioterapeuta precisa gerar ao menos 30-40% mais receita do que o custo total dele (salário ou percentual + encargos + COFFITO) para valer financeiramente.
CLT ou PJ para o segundo fisioterapeuta da clínica?
Não existe resposta universal. CLT gera vínculo mais forte, maior previsibilidade de custos e mais proteção jurídica — mas o custo real é aproximadamente 1,7x o salário bruto (encargos + benefícios). PJ é mais simples no curto prazo mas exige cuidado: se houver exclusividade, horário fixo e subordinação clara, há risco de reconhecimento de vínculo empregatício. O modelo de percentual sobre produção, como PJ, é o mais comum em clínicas pequenas.
O que o COFFITO exige para contratar outro fisioterapeuta?
O COFFITO exige que toda empresa de saúde que presta serviços de fisioterapia tenha um Responsável Técnico (RT) registrado — que é o fisioterapeuta com cadastro ativo no conselho, responsável pela qualidade dos atendimentos. A clínica também precisa ter o seu próprio registro no COFFITO/CREFITO regional, além do CNPJ. Quando você contrata outro fisioterapeuta, ele atende sob a RT que você já possui — mas todos os profissionais devem ter registro ativo no CREFITO.
Qual percentual de produção é razoável para o segundo fisioterapeuta?
O mercado pratica entre 40% e 60% do valor da sessão para o fisioterapeuta, dependendo de quem traz os pacientes, quem paga os insumos e quem arca com os custos fixos do espaço. Se o paciente é da clínica (você gerou a demanda), 40-45% é o mais comum. Se o profissional traz a carteira de pacientes dele, 55-60% é mais razoável. O combinado deve estar no contrato — verbal não funciona quando o dinheiro começa a apertar.

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