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O custo real por sessão de fisioterapia: você sabe qual é a sua margem?

A maioria dos fisioterapeutas define o preço olhando para a concorrência — mas nunca calculou o que cada sessão custa de verdade. Aluguel rateado, materiais, impostos, plataformas. Veja como fazer essa conta.

Você cobra R$ 150 por sessão. Atende 8 pacientes por dia, 20 dias no mês. No papel, são R$ 24.000 de faturamento.

Mas quanto disso é seu de verdade?

A maioria dos fisioterapeutas não sabe responder essa pergunta. Sabe o que cobra. Não sabe o que gasta para entregar cada sessão. E sem isso, não tem como saber se o preço cobre os custos, se a margem é saudável ou se você está trabalhando para pagar as contas da clínica sem perceber.

A diferença entre faturamento e margem

Faturamento é o que entra. Margem é o que sobra depois de pagar tudo que foi necessário para atender.

Um fisioterapeuta que fatura R$ 15.000 por mês com custos de R$ 11.000 tem margem de R$ 4.000 — menos de 27%. Outro que fatura R$ 10.000 com custos de R$ 4.000 tem margem de R$ 6.000 — 60%.

O segundo ganha mais, mesmo faturando menos.

Definir preço sem conhecer o custo por sessão é como negociar salário sem saber quanto você precisa para viver.

O que entra no custo de uma sessão

Os custos da clínica existem independentemente de quantos pacientes você atendeu no dia. Para entender a margem real, você precisa rateá-los por sessão.

A fórmula básica:

Custo por sessão = (Custos fixos mensais + Custos variáveis mensais) ÷ Número de sessões no mês

Custos fixos

São os que você paga todo mês, atenda ou não:

ItemExemplo mensal
Aluguel da sala ou consultórioR$ 1.500
Sistema de gestãoR$ 80
Internet e telefoneR$ 150
Contador ou MEI DASR$ 200
Plataformas (WhatsApp Business, etc.)R$ 50
Total fixo (exemplo)R$ 1.980

Custos variáveis

São os que crescem conforme você atende mais:

ItemEstimativa por sessão
Materiais descartáveis (luvas, lençol, eletrodos)R$ 4 a R$ 8
Taxas de pagamento (maquininha ou Pix parcelado)R$ 2 a R$ 5
Deslocamento (se domiciliar)R$ 10 a R$ 25

Custo por sessão — o cálculo completo

Usando os números do exemplo acima:

  • Custos fixos mensais: R$ 1.980
  • Custos variáveis por sessão: R$ 8 (estimativa conservadora)
  • Sessões no mês: 100

Custo por sessão = (R$ 1.980 ÷ 100) + R$ 8 = R$ 27,80

Para uma sessão cobrada a R$ 130, a margem bruta seria R$ 102,20 por sessão — cerca de 79%.

Parece saudável. Mas esse cálculo ainda não inclui o imposto de renda sobre o lucro, nenhuma provisão para equipamento, nem o valor do seu tempo fora dos atendimentos — agenda, prontuários, responder pacientes.

O que distorce a margem sem você perceber

Alguns custos são invisíveis porque não aparecem como linha no extrato bancário:

Faltas sem reposição. Se você tem 10% de faltas e não cobra, cada falta reduz o número de sessões efetivas no denominador sem reduzir os custos fixos. O custo por sessão sobe.

Tempo não cobrado. Triagem, evolução, responder dúvida por WhatsApp — tudo isso é trabalho que não entra no faturamento. Quanto mais desse tempo você tem, menor é a sua hora efetiva remunerada.

Equipamento sem depreciação. Ultrassom, laser, TENS — esses equipamentos se depreciam. Se você não provisiona a reposição, está consumindo capital sem saber.

Descontos informais. “Paga o que puder dessa vez” ou sessões extra sem cobrar acumulam e reduzem a margem real sem aparecer em nenhum relatório.

O preço que cobre o custo e o que não cobre

Uma vez que você tem o custo por sessão, a pergunta passa a ser: qual é a margem que você quer ter?

Uma referência prática:

Preço da sessãoCusto por sessão (exemplo)Margem brutaMargem (%)
R$ 100R$ 28R$ 7272%
R$ 120R$ 28R$ 9277%
R$ 150R$ 28R$ 12281%
R$ 80R$ 28R$ 5265%

Margem bruta acima de 70% é razoável para fisioterapia particular. Abaixo de 60%, qualquer variação na agenda — uma semana de faltas, um equipamento quebrado — já coloca o mês no vermelho.

Se o seu preço está abaixo desse patamar, o problema não é falta de pacientes. É que cada sessão adicional está sendo entregue com margem insuficiente para cobrir os imprevistos.

Como usar esse número na prática

Saber o custo por sessão muda algumas decisões concretas:

Reajuste de preço. Em vez de olhar para o concorrente, você sabe qual é o piso abaixo do qual não faz sentido atender. O reajuste vira uma necessidade objetiva, não um pedido.

Decisão de alugar sala extra. Se o aluguel adicional aumenta o custo fixo em R$ 800 por mês, você precisa de pelo menos 29 sessões a mais por mês só para cobrir esse custo — sem lucrar nada a mais. Você tem essa demanda?

Oferta de desconto. Quando um paciente pede desconto, você sabe exatamente quanto de margem ainda sobra se conceder. Não é mais intuição — é conta.

Viabilidade de atendimento domiciliar. O deslocamento tem custo real. Acrescentar R$ 10 a R$ 25 no custo variável de cada sessão domiciliar muda o preço mínimo que faz sentido cobrar.

Como o Clinvo ajuda a enxergar a margem

O Clinvo não faz o cálculo de custo por você — esse número depende dos seus contratos e despesas. Mas ele dá a parte que você não consegue controlar na memória:

  1. Relatório de receita por período — faturamento real por semana ou mês, separado por tipo de serviço; a base do numerador do seu cálculo
  2. Sessões realizadas por período — o denominador: quantas sessões foram efetivamente atendidas, não só agendadas
  3. Controle de faltas e cancelamentos — veja o percentual de sessões perdidas e quanto isso representa em receita não realizada
  4. Financeiro por paciente — separe receita de sessão avulsa de receita de pacote; os custos variáveis de cada modelo são diferentes

Com esses números na mão, a conta do custo por sessão leva menos de dez minutos. E você para de definir preço no escuro.


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