A sétima sessão foi a última. A dor sumiu, a amplitude voltou, os testes estão normais — você dá a alta. É o melhor momento do tratamento.
Até o paciente perguntar: “Doutora, e as três sessões que sobraram do pacote?”
O pacote era de 10 sessões por R$ 1.200 (R$ 120 cada; a avulsa sai por R$ 150). Ele pagou adiantado. E agora você tem três respostas possíveis, nenhuma escrita em lugar nenhum, para decidir na hora, com o paciente na sua frente.
A resposta errada não é nenhuma das três. É decidir diferente a cada paciente.
Alta não é desistência
As duas situações terminam do mesmo jeito — pacote com sessões sobrando —, mas a regra do dinheiro não pode ser a mesma:
| Desistência | Alta antes do fim | |
|---|---|---|
| Quem decide parar | O paciente | Você, por critério clínico |
| Motivo | Mudança de cidade, falta de tempo, insatisfação | O tratamento funcionou antes do previsto |
| O compromisso do pacote | Foi quebrado pelo paciente | Foi cumprido — o objetivo foi atingido |
| O desconto do pacote | Pode ser revisto, se a política previa | Não faz sentido retirar |
Na desistência, a política do pacote pode prever que o desconto se perde, porque ele foi dado em troca de um compromisso que o paciente não cumpriu — o artigo sobre desistência no meio do pacote trata desse caso, com o que o Código de Defesa do Consumidor diz. Na alta, quem encerrou foi você. Reter o valor de sessões que você mesmo decidiu não fazer é difícil de justificar — para o paciente e para qualquer pessoa que olhe o caso depois.
As três saídas, com a conta
Pacote de 10 sessões por R$ 1.200, totalmente pago, alta na sétima:
| Saída | Como calcula | O paciente paga | Volta para ele |
|---|---|---|---|
| 1. Proporcional pelo preço do pacote | 7 × R$ 120 | R$ 840 | R$ 360 |
| 2. Recalcular pelo preço avulso | 7 × R$ 150 | R$ 1.050 | R$ 150 |
| 3. Converter as sessões restantes | Mantém R$ 1.200 | R$ 1.200 | 3 sessões de outro tipo |
1. Proporcional pelo preço do pacote
As sessões feitas são cobradas pelo preço que o paciente pagou por elas; o restante volta. É a saída mais justa na alta. O paciente fez exatamente o que você indicou, e o desconto do pacote foi dado em troca da continuidade do tratamento — que aconteceu até o fim, só que antes.
O preço por sessão no pacote não é linear, e é por isso que essa conta precisa ser escrita: R$ 1.200 dividido por 10 dá R$ 120 só porque o pacote foi montado assim. Se o pacote tinha avaliação inclusa ou sessões de valores diferentes, defina na política como a sessão é valorada.
2. Recalcular pelo preço avulso
As sessões feitas são cobradas como se fossem avulsas, e o desconto do pacote se perde. É a regra que funciona na desistência. Aplicada à alta, ela soa como multa por ter melhorado rápido demais — e é o tipo de coisa que o paciente conta para os outros.
Use só se a sua política diz, explicitamente, que o desconto depende de completar as sessões, e mesmo assim pense duas vezes antes de aplicar a quem recebeu alta.
3. Converter as sessões restantes
O valor fica, e as três sessões viram outra coisa útil: uma reavaliação em 60 dias, um retorno preventivo, sessões de manutenção, ou até a sessão de um familiar. Muitas vezes é a melhor saída para os dois lados: o paciente não “perde” nada, e você mantém o vínculo que um bom protocolo de alta tenta criar.
Duas condições:
- O paciente escolhe. Conversão imposta é a saída 2 com outro nome.
- Tem prazo. “Pode usar quando quiser” cria sessões em aberto por tempo indeterminado, que reaparecem dois anos depois, com o preço antigo. Seis meses é um prazo razoável para manutenção e reavaliação.
Quando o pacote foi pago só em parte
Aqui a conversa às vezes se inverte: quem ainda deve é o paciente.
Mesmo pacote, R$ 600 pagos na compra e o restante combinado para o mês seguinte. Alta na sétima sessão:
| Saída | Devido pelo realizado | Já pago | Situação |
|---|---|---|---|
| Proporcional pelo preço do pacote | R$ 840 | R$ 600 | R$ 240 a receber |
| Manter o preço fechado | R$ 1.200 | R$ 600 | R$ 600 a receber |
Com a saída 1, ainda há R$ 240 a receber e nada a devolver — uma conta simples de explicar. Manter o preço cheio de um pacote pago pela metade, depois de dar a alta, é a conversa mais difícil possível: você está cobrando sessões que não vai fazer de alguém que acabou de ouvir que está bem.
Escreva a regra antes da próxima venda
Uma cláusula na política do pacote resolve:
“Em caso de alta antes da conclusão do pacote, as sessões realizadas são cobradas pelo valor unitário do pacote. O valor das sessões não realizadas é devolvido ou, à escolha do paciente, convertido em sessões de reavaliação ou manutenção, a serem usadas em até 6 meses.”
E deixe a desistência numa cláusula separada. É a mistura das duas que gera discussão: o paciente de alta lê a regra da desistência e entende que está sendo punido por ter melhorado.
A melhor hora para falar disso é na venda do pacote, não na alta. Uma frase na conversa de venda do pacote — “e se você tiver alta antes, as sessões que sobrarem voltam ou viram manutenção” — ainda tira uma objeção comum de quem hesita em pagar adiantado.
Como registrar sem bagunçar o financeiro
Seja qual for a saída, três coisas precisam ficar registradas:
- O pacote fecha com o número real de sessões — 10 vira 7/7. Assim nenhuma sessão “sobrando” fica disponível para alguém agendar por engano semanas depois.
- O valor do pacote reflete a saída escolhida — R$ 840 na proporcional, R$ 1.200 se o valor foi mantido ou convertido.
- O dinheiro que volta sai como estorno, com o destino certo: devolvido ao paciente ou mantido como saldo dele. Nunca apague o pagamento original. O passo a passo do estorno está no artigo sobre desistência.
Na conversão, abra as sessões de manutenção como um registro próprio, com a data-limite anotada — misturadas ao pacote original, elas se perdem.
No Clinvo, sessões e valor do pacote se ajustam separadamente
No Clinvo, os pacotes de sessões fazem parte do financeiro completo (planos Profissional e Clínica), e a alta antecipada é uma edição do próprio pacote:
- O Número de Sessões e o valor do pacote são editados de forma independente: o sistema não recalcula um a partir do outro. Fechar 10 em 7 e baixar o valor para R$ 840 é a saída proporcional; fechar em 7 e manter R$ 1.200 é a de preço fechado. Os dois desfechos são possíveis, porque os dois são legítimos.
- Com o total igual às sessões já feitas, o pacote fecha (7/7) e deixa de aparecer como disponível na agenda.
- O total nunca fica abaixo das sessões já usadas: o sistema recusa.
- Se a edição encerra o pacote deixando valor a receber, aparece “Encerrar o pacote com valor a receber?” com o valor, e você escolhe entre Revisar e Salvar assim mesmo. O aviso existe para lembrar de ajustar o valor quando a alta foi sem cobrar as sessões restantes.
- O que volta para o paciente sai pelo Estornar, com o destino “Devolvi ao paciente” ou “Deixar como saldo do paciente” — o saldo é oferecido na próxima cobrança dele.
- A edição do pacote funciona no painel web e no app.
Um limite que é melhor saber antes: o pacote não tem data de validade no sistema. Se você converter as sessões restantes em manutenção com prazo de seis meses, anote o prazo na observação e controle a data.
O que fazer esta semana
- Liste os pacotes abertos com paciente perto da alta. Para cada um, a conversa sobre as sessões restantes deve acontecer na alta, não depois.
- Decida a regra da alta (recomendação: proporcional pelo preço do pacote, com opção de conversão) e escreva-a separada da regra de desistência.
- Inclua a frase da alta no roteiro de venda do pacote.
- Para os pacotes que já fecharam com sessões sobrando, confira se o número de sessões e o valor batem com o que foi combinado.
Alta é a melhor notícia do tratamento — a conta do pacote não precisa estragar isso. No Clinvo, o número de sessões e o valor do pacote se ajustam separadamente, o sistema avisa antes de encerrar com valor a receber e o estorno registra para onde o dinheiro foi. Teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.