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QuickDASH na fisioterapia: como calcular, interpretar e registrar (com exemplo preenchido)

Como calcular o QuickDASH com 11 ou 10 respostas, interpretar a mudança entre avaliações e registrar no prontuário. Exemplo preenchido, módulos opcionais e os erros que alteram o resultado.

O paciente diz que o ombro dói menos, mas ainda evita carregar a sacola e precisa de ajuda para algumas tarefas. Você tem a intensidade da dor registrada. Falta uma medida que ajude a acompanhar o que acontece com o braço fora do consultório.

O QuickDASH ajuda a acompanhar essa função. Mas a conta precisa estar certa: dividir pelo número errado muda o resultado. E chamar o escore de “moderado” sem referência coloca no prontuário uma classificação que o instrumento não oferece.

Este guia mostra a conta com respostas fictícias, o que fazer quando falta um item e como levar a comparação para o prontuário. Ele complementa o guia de escalas e instrumentos de avaliação na fisioterapia.

O que o QuickDASH mede

O QuickDASH reúne 11 itens sobre função e sintomas dos membros superiores, respondidos pelo próprio paciente. É a versão reduzida do DASH, que tem 30 itens. O paciente informa o que consegue fazer e como os sintomas interferem na rotina.

Isso ajuda a acompanhar um paciente com tendinopatia do manguito rotador, por exemplo. O resultado entra junto da história clínica, do exame físico e das metas do tratamento. Ele mostra a dificuldade que o paciente percebe, sem localizar sozinho a lesão.

DASH ou QuickDASH?

AspectoDASHQuickDASH
Questionário principal30 itens11 itens
Resultado0 a 100 pontos0 a 100 pontos
Escolha práticaMais perguntas, com maior precisão de medida segundo o Institute for Work & Health (IWH)Menos perguntas para preencher, mantendo a avaliação de função e sintomas

Defina qual vai usar no início e mantenha nas reaplicações. No estudo de Gummesson e colaboradores, com 105 pacientes, o QuickDASH ficou em média 4,2 pontos acima do DASH na avaliação inicial, calculado a partir das respostas das mesmas pessoas. Trocar a versão no meio do acompanhamento pode criar uma diferença no número que vem do questionário. Se precisar trocar, registre a mudança e use a nova versão como referência para as próximas comparações.

Use a versão brasileira e preserve as instruções

Use a versão em português do Brasil. Silva e colaboradores estudaram essa versão em 2020 e encontraram boa confiabilidade e capacidade de acompanhar mudanças em pessoas com condições traumáticas e não traumáticas dos membros superiores.

Preserve a redação, as alternativas e a referência à última semana do formulário oficial. Pedir apenas a situação de hoje muda a pergunta. Se o paciente não realizou uma atividade, a orientação do IWH é considerar sua capacidade de realizá-la.

Como calcular o QuickDASH

Cada resposta recebe de 1 a 5 pontos. Para o escore principal:

QuickDASH = [(soma das respostas ÷ número de itens respondidos) − 1] × 25

São necessários pelo menos 10 dos 11 itens. O resultado vai de 0 a 100. Quanto maior, maior a incapacidade e os sintomas. A fórmula está no manual do IWH, disponível em cópia institucional no WSIB.

Faça a conta nesta ordem: some, divida pela quantidade respondida, subtraia 1 e multiplique por 25. Deixe o arredondamento para o resultado final.

Exemplo preenchido: da avaliação à reavaliação

Os valores abaixo são fictícios, apenas para demonstrar o cálculo. A numeração acompanha os 11 itens do questionário oficial. Use a tabela para conferir a conta e o formulário oficial para aplicar ao paciente.

ItemAvaliação inicialReavaliação
142
232
343
432
521
643
732
832
932
1021
1122
Soma3322
Itens respondidos1111

Avaliação inicial: [(33 ÷ 11) − 1] × 25 = 50 pontos.

Reavaliação: [(22 ÷ 11) − 1] × 25 = 25 pontos.

Mudança: 25 − 50 = −25 pontos, ou redução de 25 pontos no escore.

Na conversa com o paciente, você pode partir desse resultado e perguntar quais tarefas ficaram mais fáceis e quais continuam difíceis. No prontuário, registre as duas datas, os dois escores e essa descrição funcional. O número ganha contexto quando aparece junto do que mudou na rotina.

E se uma resposta ficou em branco?

Considere outro exemplo: o paciente respondeu 10 itens, que somaram 30 pontos. A conta fica:

[(30 ÷ 10) − 1] × 25 = 50 pontos.

Se você dividir por 11, encontrará 43,18 e fará o resultado parecer melhor por um erro de cálculo. Também não preencha a lacuna com zero: esse valor nem faz parte das alternativas.

Preenchimento do questionário principalComo proceder
11 respostasDividir a soma por 11 e completar a fórmula
10 respostasDividir por 10 e registrar qual item ficou sem resposta
9 respostas ou menosNão calcular o escore principal

Os módulos opcionais têm resultado separado

Há dois módulos opcionais: trabalho e esporte/música, com quatro itens cada. Eles ajudam a avaliar dificuldades em tarefas mais exigentes, que podem passar despercebidas no questionário principal. Cada módulo tem seu próprio resultado.

Em cada módulo, os quatro itens precisam estar respondidos. A fórmula é a mesma, com divisor 4. Se faltar uma resposta, não calcule aquele módulo. O escore principal continua válido se foi preenchido corretamente.

Exemplo fictício: respostas 2, 3, 3 e 4 no módulo de trabalho. Soma 12. [(12 ÷ 4) − 1] × 25 = 50 pontos.

Se o escore principal foi 25, registre “QuickDASH 25/100; módulo trabalho 50/100”. Somar os dois resultados produziria um número sem significado no instrumento.

Como interpretar sem inventar faixas de gravidade

O QuickDASH não tem faixas oficiais de incapacidade leve, moderada e grave, segundo o IWH. Evite transformar intervalos encontrados em uma tabela na internet em classificação do seu paciente.

Prefira escrever “QuickDASH 50/100, com dificuldade relatada nas tarefas descritas na avaliação” a atribuir uma gravidade sem referência. E 50 pontos não significam “50% do braço comprometido”: o escore não é uma porcentagem de perda anatômica ou de capacidade de trabalho.

Quanto de mudança é clinicamente importante?

Dois conceitos ajudam a interpretar a diferença entre aplicações:

  • Mínima mudança detectável (MDC): quanto o escore precisa mudar para superar o erro de medida, com o nível de confiança usado no estudo.
  • Diferença mínima clinicamente importante (MCID): quanto de mudança faz diferença para o paciente.

A revisão sistemática de Galardini e colaboradores, de 2024, propôs 12 a 15 pontos como faixa de MCID para o QuickDASH em condições musculoesqueléticas.

Já no estudo brasileiro de Silva e colaboradores, a MDC foi de 17,27 pontos, com 95% de confiança. As duas referências vêm de populações e métodos diferentes. A primeira ajuda a discutir relevância para o paciente, e a segunda, erro de medida.

Na prática, usando essas referências:

  • Queda de 25 pontos, como no exemplo: supera a faixa de 12 a 15 e os 17,27 do estudo brasileiro. Confira se o ganho também aparece nas tarefas que eram difíceis para o paciente.
  • Queda de 14 pontos: está na faixa de mudança clinicamente importante, mas abaixo da MDC encontrada na amostra brasileira. Olhe o que mudou na função e no exame antes de concluir só pelo escore.
  • Queda de 8 pontos: pode refletir erro de medida. Compare com os demais achados e acompanhe a próxima reavaliação antes de atribuir melhora ao número.

A alta depende das metas funcionais e da avaliação clínica. O escore ajuda a sustentar essa decisão.

Os erros que alteram o resultado

Antes de salvar a pontuação no prontuário, confira estes seis pontos:

  • Dividir por 11 quando há só 10 respostas. Use a quantidade de itens respondidos. No exemplo com soma 30, o divisor errado derruba o resultado de 50 para 43,18.
  • Preencher resposta em branco com zero. Zero não é uma alternativa. Registre a ausência e aplique a regra de preenchimento mínimo.
  • Perguntar sobre hoje em vez da última semana. Você muda o período avaliado e perde a referência das aplicações anteriores.
  • Somar o módulo opcional ao escore principal. Trabalho e esporte/música têm resultados separados.
  • Trocar DASH por QuickDASH no meio do tratamento e comparar os números diretamente. Parte da diferença pode vir da mudança de instrumento.
  • Chamar o resultado de “moderado”. Essa faixa não é oficial. Registre a pontuação e as atividades em que o paciente relata dificuldade.

Como registrar no prontuário

Ao planejar a sessão de reavaliação, deixe definido qual instrumento vai reaplicar e mantenha o registro inicial acessível. Para organizar a comparação, anote:

  • Versão e idioma do questionário.
  • Data da aplicação e número de itens respondidos.
  • Soma das respostas e escore calculado.
  • Resultado anterior, com data, e diferença em pontos.
  • Atividades que mudaram e limitações que permanecem.
  • Módulos opcionais, quando utilizados, em separado.

Um registro possível, usando as respostas fictícias da tabela, seria:

Reavaliação de 01/10/2026. QuickDASH, versão brasileira: 11/11 itens respondidos, soma 22, escore 25/100. Na avaliação de 01/09/2026: soma 33, escore 50/100. Redução de 25 pontos. Paciente relata maior facilidade para as tarefas domésticas, mantendo dificuldade para carregar compras. Módulos opcionais não aplicados. Resultado discutido com o paciente e considerado na revisão das metas funcionais.

As datas ilustram o registro. Defina o intervalo de reaplicação conforme o caso. Se você organiza a evolução pelo método SOAP, identifique o escore como resultado do questionário respondido pelo paciente e acrescente sua interpretação clínica. Assim, o próximo profissional consegue entender a conta e a decisão tomada a partir dela.


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Perguntas frequentes

O que o QuickDASH avalia na fisioterapia?
É um questionário com 11 itens que o paciente responde sobre função e sintomas dos membros superiores. É a versão curta do DASH, que tem 30 itens. O resultado vai de 0 a 100 pontos. Quanto maior, maior a incapacidade e os sintomas relatados. Ele ajuda a acompanhar a evolução, mas não identifica sozinho a causa da queixa.
Como calcular o QuickDASH se faltar uma resposta?
Use a fórmula [(soma das respostas ÷ número de itens respondidos) − 1] × 25. Com os 11 itens preenchidos, divida a soma por 11. Com uma resposta ausente, divida por 10. Se faltarem duas ou mais respostas, não calcule o escore principal. Uma resposta em branco não vale zero.
O QuickDASH tem faixas de incapacidade leve, moderada e grave?
O Institute for Work & Health não estabelece essas faixas para o DASH ou o QuickDASH. Registre o escore e interprete junto das atividades limitadas, do exame e das medidas anteriores. Um resultado de 50 pontos não significa que o paciente perdeu metade da capacidade do braço.
Quantos pontos de mudança no QuickDASH indicam melhora importante?
Uma revisão sistemática de 2024 propôs de 12 a 15 pontos como faixa de diferença mínima clinicamente importante em condições musculoesqueléticas. Já o estudo brasileiro encontrou uma mudança mínima detectável de 17,27 pontos. São medidas diferentes: compare a queda do escore com as tarefas que o paciente voltou a fazer e os achados do exame. O número sozinho não define alta.

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