Você recebeu a mensagem no Instagram: “Vi seu perfil, trabalho com marketing para profissionais de saúde, podemos conversar?”. Ou foi você que procurou, depois de meses tentando postar sozinho sem constância nenhuma.
A primeira pergunta é sempre a mesma: quanto custa isso? E a resposta que você recebe — “depende do que você precisa” — não ajuda em nada quando você está tentando decidir se vale gastar R$ 500 ou R$ 5.000 por mês.
Ela não está errada. O preço realmente varia muito. Mas varia de um jeito previsível, e dá para entender antes de qualquer reunião comercial.
O que você está comprando (não é uma coisa só)
“Marketing digital” não é um serviço único com um preço único. São pelo menos quatro serviços diferentes, que podem vir separados ou combinados:
Gestão de redes sociais — planejamento de conteúdo, criação de posts e stories, resposta a comentários e mensagens. Não envolve pagar por anúncio, só produzir e publicar.
Gestão de tráfego pago — configurar e otimizar campanhas no Google Ads ou Meta Ads (Instagram/Facebook). O fee da agência é separado do dinheiro que você investe direto na plataforma para o anúncio rodar.
SEO local — otimização do Google Meu Negócio, do site (se você tem um) e de conteúdo para aparecer nas buscas orgânicas da sua cidade. É trabalho de médio prazo, não gera resultado em semanas.
Produção de conteúdo — fotos, vídeos, design de posts. Às vezes vem incluído na gestão de redes sociais, às vezes é cobrado à parte, principalmente se envolve visita da equipe ao seu consultório.
Cada um tem uma faixa de preço diferente, e uma agência pode te vender qualquer combinação deles.
Faixas de preço por tipo de serviço
Os valores abaixo são estimativas com base no que costuma ser praticado no mercado brasileiro de marketing para pequenos negócios de saúde. Variam por região (capital custa mais que interior), porte da agência (freelancer cobra menos que agência com equipe) e volume de trabalho contratado.
Gestão de redes sociais isolada
R$ 800 a R$ 2.500 por mês. A parte de baixo da faixa costuma ser freelancer ou profissional autônomo cuidando de 1 rede social com poucos posts semanais. A parte de cima envolve agência com equipe, várias redes, roteiro de conteúdo planejado e produção em vídeo.
Gestão de tráfego pago (fee, sem contar o orçamento de anúncio)
R$ 500 a R$ 2.000 por mês. Esse valor paga só a gestão — criação de campanha, ajuste de palavra-chave ou público, acompanhamento de métrica, relatório. Ele não inclui o que você vai investir em anúncio propriamente. Se a agência propõe R$ 1.000 de fee, você ainda vai precisar de orçamento de mídia à parte — geralmente algumas centenas de reais no mínimo para um teste honesto.
SEO local
R$ 1.000 a R$ 3.000 por mês, quase sempre em contrato de 6 a 12 meses — SEO não entrega resultado em semanas, então agência séria não vende contrato mensal sem compromisso de prazo. Cobre otimização de Google Meu Negócio, estrutura do site e, às vezes, produção de conteúdo para blog.
Pacote completo (redes + tráfego + relatório mensal)
R$ 1.800 a R$ 5.000 por mês. É a combinação mais vendida para consultório ou clínica pequena: alguém cuida de tudo, você recebe um relatório mensal e não precisa pensar em canal nenhum. O preço varia dependendo de quantas redes, quantas campanhas de anúncio e com que frequência sai conteúdo novo.
O que faz o preço variar dentro dessas faixas
Freelancer x agência pequena x agência grande. Freelancer autônomo cobra menos porque não tem estrutura de equipe nem overhead de escritório — mas também não tem backup se ficar doente ou de férias. Agência grande cobra mais, tem mais gente por trás, mas às vezes também mais burocracia para qualquer ajuste simples.
Região. Capital e grandes centros custam mais que cidades do interior, tanto para gestão quanto para o próprio clique de anúncio.
Experiência com saúde. Agência que já atende clínica, consultório ou profissional de saúde conhece as restrições de publicidade do COFFITO (o que pode e o que não pode em anúncio nas redes sociais) e evita post que gera problema ético. Isso costuma custar um pouco mais — e vale.
Volume de entrega. Três posts por semana custa diferente de um por semana. Duas campanhas de anúncio rodando custa diferente de uma. O contrato deveria deixar isso explícito, não vago.
O erro de comparação mais comum
Comparar proposta de R$ 800 com proposta de R$ 3.000 sem checar o que cada uma inclui é comparar coisas diferentes vestidas do mesmo nome.
A de R$ 800 pode ser só gestão de Instagram, sem anúncio nenhum. A de R$ 3.000 pode incluir tráfego pago com fee de gestão de R$ 1.200 e o resto sendo orçamento de mídia que ficaria com você de qualquer forma, gerido por outra pessoa.
Antes de comparar preço, peça para cada agência listar exatamente o que está incluso — e separe, na sua cabeça, quanto é gestão e quanto é orçamento de anúncio. São contas diferentes, mesmo quando vêm na mesma proposta.
Quando vale contratar agência
Seu tempo vale mais do que o fee. Se gerenciar anúncio e postar com constância te toma 5 a 8 horas por semana que você preferia usar atendendo, o fee mensal pode custar menos do que essas horas em sessões perdidas.
Você já tentou fazer sozinho e não manteve constância. Postar sem plano por dois meses e depois sumir por três é pior do que não postar — mostra perfil abandonado para quem visita. Se esse é seu padrão, terceirizar resolve o problema real, que é constância, não talento.
Você quer rodar tráfego pago e nunca configurou uma campanha. Campanha malconfigurada queima orçamento rápido. Se você não tem tempo para aprender a fundo antes de investir dinheiro real, o fee de gestão se paga só evitando esse erro.
Quando não vale (ainda)
Consultório recém-aberto, agenda ainda com poucos pacientes. Antes de pagar por gestão, vale fazer o básico gratuito: perfil completo no Google Meu Negócio, pedir avaliação de quem já atendeu, postar você mesmo com uma rotina simples. Contratar agência com agenda vazia é gastar em volume de contato que você ainda não tem estrutura para atender.
Você tem tempo e gosta de fazer. Alguns fisioterapeutas realmente têm perfil para cuidar do próprio marketing — gostam de criar conteúdo, entendem de anúncio, têm constância. Nesse caso, contratar agência é pagar por algo que você já faz bem.
O ticket médio não sustenta o investimento. Se o fee mensal representa mais do que a margem de vários pacientes, o retorno precisa ser muito claro antes de assinar. Faça a conta antes, não depois.
Perguntas para fazer antes de assinar
A conta de anúncio é minha ou da agência? Tem que ser sua, sempre. Se a agência cria a campanha na própria conta dela, você perde o histórico e o controle se decidir trocar de fornecedor.
Qual o prazo mínimo de contrato e a multa de rescisão? SEO exige prazo mais longo por natureza. Gestão de redes sociais não precisa te prender por 12 meses se não estiver funcionando.
O relatório mostra o que além de curtida e alcance? Curtida não paga conta. Pergunte se o relatório traz contato gerado, agendamento, ou pelo menos clique qualificado — métrica que se conecta com paciente de verdade.
A agência já atendeu clínica ou consultório de saúde? Quem nunca trabalhou com saúde pode cometer erro de publicidade que gera problema ético ou, na pior hipótese, denúncia ao conselho.
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