O paciente pede o atestado, você abre o editor de documentos e trava na pergunta mais simples: o que escrever, exatamente? O “pode emitir” já está resolvido — a Resolução COFFITO 464/2016 garante essa competência. O que falta é o texto.
Aqui estão três modelos prontos — comparecimento, afastamento e retorno com restrição —, com o que cada campo precisa ter. Antes de usar, a regra de sempre: o modelo calibra estrutura e linguagem; o conteúdo é o do seu paciente. Período, condição e finalidade têm que bater com o que você avaliou.
Os campos que todo atestado precisa
Independentemente do tipo, um atestado se sustenta quando tem:
- Identificação da clínica e do profissional — nome da clínica, e o seu nome com o número do CREFITO. Sem o registro, o documento perde força.
- Identificação do paciente — nome completo e, quando pertinente, CPF.
- Finalidade clara — comparecimento, incapacidade funcional ou retorno com restrição. Sem ambiguidade.
- Período — data (e, no comparecimento, o horário).
- Local, data de emissão e assinatura.
O que não é campo obrigatório: o CID. Ele só entra quando há finalidade real e autorização do paciente (mais sobre isso adiante).
Modelo 1 — Atestado de comparecimento
O mais comum: justifica que o paciente esteve na sessão. (A rigor, esse documento é uma declaração de comparecimento — a distinção, e por que ela importa, está neste artigo dedicado.)
[Cabeçalho: nome da clínica, CNPJ, endereço, telefone]
ATESTADO DE COMPARECIMENTO
Atesto, para os devidos fins, que o(a) Sr(a). [nome do paciente] compareceu a esta clínica para atendimento de fisioterapia no dia [data], no período das [hora de início] às [hora de término].
[Cidade], [data de emissão].
[Nome do fisioterapeuta] — CREFITO [número]
O horário é o detalhe que faz esse atestado funcionar: ele justifica a ausência do período da sessão, não do dia inteiro.
Modelo 2 — Atestado de afastamento (incapacidade funcional)
Aqui você declara incapacidade funcional para a atividade — dentro do escopo da fisioterapia. É o atestado previsto na 464/2016.
[Cabeçalho da clínica]
ATESTADO
Atesto, para os devidos fins, que o(a) paciente [nome] encontra-se em tratamento fisioterapêutico e apresenta, no momento, incapacidade funcional que recomenda o afastamento de suas atividades laborais pelo período de [número] dias, a contar de [data], para a eficácia do tratamento.
[Quando pertinente e autorizado pelo paciente — diagnóstico clínico de referência (CID-10): [código]]
[Cidade], [data].
[Nome] — fisioterapeuta — CREFITO [número]
Dois cuidados neste modelo: o período de dias reflete a sua avaliação clínica (a resolução não fixa um número), e o afastamento previdenciário pelo INSS depende de perícia médica — o atestado fisioterapêutico documenta a incapacidade funcional, mas não substitui essa perícia.
Modelo 3 — Atestado de retorno ao trabalho com restrição
Útil quando o paciente já pode voltar, mas não para tudo. Evita a recaída por sobrecarga precoce.
[Cabeçalho da clínica]
ATESTADO
Atesto que o(a) paciente [nome] apresenta condições de retornar às suas atividades laborais a partir de [data], observadas as seguintes restrições funcionais pelo período de [ex.: 15 dias]:
- [ex.: evitar levantamento de cargas acima de 5 kg];
- [ex.: evitar permanência em pé por mais de 1 hora contínua, com pausas a cada 50 minutos].
[Cidade], [data]. — [Nome], fisioterapeuta, CREFITO [número]
As restrições devem ser funcionais e objetivas (peso, tempo, postura) — não genéricas. “Trabalho leve” não orienta ninguém; “evitar cargas acima de 5 kg” sim.
O que não colocar (e por quê)
- CID sem necessidade. Diagnóstico é dado sensível, protegido por sigilo e pela LGPD. Atestado de comparecimento não precisa de CID; em afastamento, só com autorização e finalidade real. E o fisioterapeuta referencia o CID do médico, não cria um.
- Linguagem de diagnóstico médico de doença. Você atesta a condição funcional (incapacidade, restrição), não fecha o diagnóstico da doença.
- Período “no chute”. Número de dias sem base na avaliação enfraquece o documento e cria exposição.
- Rasura e dado faltando. Documento incompleto ou com correção manual é o primeiro a ser questionado por RH e convênio.
Adaptar, não copiar — e quando o caso pede outro documento
Os modelos acima resolvem a maioria das emissões. Mas atestado não é o único documento do fisioterapeuta: quando a situação pede descrição da avaliação e da conduta (para o médico ou o convênio), o que entra é um relatório; em contexto pericial, um laudo ou parecer. Saber qual emitir em cada caso evita mandar um atestado quando pediram um relatório — a distinção está no guia de qual documento usar.
No Clinvo, esses modelos viram modelos da sua clínica: você define o texto e as variáveis uma vez, e o atestado sai em PDF já com cabeçalho, dados do paciente e o seu CREFITO preenchidos — sem redigitar a cada emissão. Como personalizar os modelos da clínica, ou teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.