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VPPB e manobra de Epley: como conduzir a reabilitação vestibular e documentar o atendimento

Da identificação do canal pelo Dix-Hallpike à manobra de Epley passo a passo — como conduzir o tratamento da VPPB de canal posterior e registrar canal, lado e resposta no prontuário.

VPPB é, ao mesmo tempo, uma das tonturas mais comuns e uma das mais gratificantes de tratar: identificado o canal certo, uma manobra bem-feita pode resolver em uma sessão o que incomodava o paciente há semanas. O que separa o resultado do “fiz a Epley e não funcionou” é o passo anterior — confirmar o canal e o lado — e o registro que organiza o acompanhamento.

Este texto é sobre a conduta: como conduzir a avaliação, a manobra e a documentação. A parte de organizar agenda, prontuário e cobrança do paciente com tontura está no artigo de reabilitação vestibular.

Primeiro: identificar o canal com o Dix-Hallpike

Aplicar a manobra de Epley sem confirmar o canal é chutar. O teste de Dix-Hallpike é o que dá o diagnóstico topográfico:

  1. Paciente sentado na maca, cabeça girada 45° para o lado testado.
  2. Deite-o rapidamente em decúbito dorsal, com a cabeça em leve extensão (cerca de 20°) para fora da borda da maca, mantendo a rotação de 45°.
  3. Observe: latência, direção e duração do nistagmo, e a vertigem desencadeada.

Um nistagmo torcional com componente vertical para cima, com latência curta e que se esgota em segundos, é o padrão da VPPB de canal posterior — o mais comum. O lado em que o teste é positivo é o lado a tratar. Esse achado define a manobra; sem ele, não há conduta dirigida.

A manobra de Epley, passo a passo (canal posterior)

Confirmado o canal posterior, a Epley reposiciona as otocônias. Para o lado direito (espelhe para o esquerdo), partindo da posição final do Dix-Hallpike:

  1. Posição 1. Cabeça girada 45° à direita, em extensão (posição do Dix-Hallpike positivo). Mantenha até a vertigem/nistagmo cessar (em torno de 30 segundos, ou mais se persistir).
  2. Posição 2. Gire a cabeça 90° para a esquerda, chegando a 45° à esquerda, mantendo a extensão. Aguarde ~30 segundos.
  3. Posição 3. Role o paciente para o decúbito lateral esquerdo, girando a cabeça mais 90°, de modo que o rosto aponte para baixo (nariz em direção ao chão). Aguarde ~30 segundos.
  4. Posição 4. Traga o paciente de volta à posição sentada, com o queixo levemente fletido.

Cada posição é mantida até os sintomas cederem. A sequência pode ser repetida na mesma sessão se necessário. Importante: a Epley é específica do canal posterior — canal horizontal pede outras manobras (rolamento de Lempert/BBQ, Gufoni), e é por isso que a identificação correta vem primeiro.

Reavaliar e registrar: onde o acompanhamento se sustenta

A VPPB tem uma vantagem rara — dá para medir o sucesso na hora: reaplicar o Dix-Hallpike após a manobra e verificar se o nistagmo desapareceu. E é exatamente isso que precisa entrar no prontuário, sessão a sessão:

  • Canal e lado acometidos (ex.: canal posterior, à direita).
  • Achado do Dix-Hallpike (presença/ausência de nistagmo, antes e depois).
  • Manobra(s) aplicada(s) e número de repetições.
  • Resposta do paciente e tontura residual.

Registrar isso na evolução SOAP deixa o histórico claro para o retorno: você sabe qual canal tratou, se resolveu e o que fazer a seguir. No relatório, o CID H81.1 (vertigem posicional paroxística benigna) entra como referência ao lado do seu diagnóstico cinético-funcional. Para tontura residual ou casos recorrentes, entram exercícios de habituação e escalas de equilíbrio e tontura para acompanhar a evolução ao longo das sessões.

A mesma lógica — avaliar o mecanismo, conduzir por critério, documentar a resposta — é a que organiza qualquer conduta por condição.


No Clinvo, cada sessão registra o achado do Dix-Hallpike, a manobra aplicada e a resposta no prontuário do paciente — então o canal tratado e a evolução ficam à mão no retorno, sem depender da memória. Teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.

Perguntas frequentes

O que é a manobra de Epley e para que serve?
A manobra de Epley é uma técnica de reposicionamento de otólitos (canalith repositioning) usada no tratamento da VPPB de canal semicircular posterior — a forma mais comum de vertigem posicional. Ela move, por uma sequência de posições da cabeça e do corpo, os cristais (otocônias) deslocados de volta para o utrículo, onde deixam de gerar a vertigem. É feita após confirmar o canal e o lado acometido pelo teste de Dix-Hallpike.
Como o fisioterapeuta identifica o canal acometido na VPPB?
Pelo teste de Dix-Hallpike: o paciente, sentado, tem a cabeça girada 45° para o lado a ser testado e é rapidamente deitado em decúbito dorsal com a cabeça em leve extensão para fora da maca. O fisioterapeuta observa a latência, a direção e a duração do nistagmo e a vertigem desencadeada. O padrão de nistagmo indica o canal (posterior, na maioria) e o lado acometido, o que define qual manobra aplicar.
Quantas sessões a VPPB precisa?
Frequentemente poucas. A VPPB de canal posterior costuma responder bem ao reposicionamento, muitas vezes em uma a três sessões, reavaliando com o Dix-Hallpike a cada retorno. O número exato depende da resposta — por isso se reavalia, em vez de fixar um total. Casos recorrentes, multicanais ou com tontura residual podem exigir mais atendimentos e exercícios de habituação.
A manobra de Epley serve para qualquer tipo de tontura?
Não. A Epley é específica para a VPPB de canal posterior. Vertigem de canal horizontal pede outras manobras (como a de Lempert/rolamento ou Gufoni), e tonturas de outras causas (vestibulopatias centrais, hipotensão, enxaqueca vestibular) exigem condutas diferentes — algumas fora do escopo, pedindo encaminhamento. Por isso a avaliação que identifica o mecanismo vem antes de qualquer manobra.

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