O AVC é a principal causa de incapacidade no Brasil, e o paciente pós-AVC costuma ser de longa duração — meses de reabilitação, às vezes anos. Isso muda a forma de conduzir: não é um protocolo de oito sessões, é um plano que evolui por fases, com metas funcionais que se redefinem ao longo do caminho.
Tratar bem exige organizar essa jornada — e documentá-la de um jeito que mostre o ganho mesmo quando ele é lento. Este é o roteiro da conduta. A parte de gerir o paciente crônico no dia a dia (agenda, recall, prontuário de longo prazo) está no artigo de fisioterapia neurológica; aqui o foco é a conduta clínica por fase.
Conduta por fase
A reabilitação pós-AVC se organiza pela fase de recuperação — e o objetivo muda em cada uma:
| Fase | Foco principal | Conduta predominante |
|---|---|---|
| Aguda | Estabilizar e prevenir complicações | Mobilização precoce, posicionamento, prevenção de contraturas e complicações respiratórias |
| Subaguda | Aproveitar a neuroplasticidade | Treino orientado à tarefa, controle motor, marcha e equilíbrio, terapia de restrição/espelho |
| Crônica | Manter e maximizar a função | Manutenção dos ganhos, prevenção do declínio, adaptação e independência |
A janela subaguda é onde mais se recupera — daí a importância de intensidade e repetição nessa fase.
Os princípios que sustentam a conduta
Mais do que uma lista de técnicas, a reabilitação pós-AVC moderna segue princípios:
- Treino orientado à tarefa. Treinar a função real (alcançar, levantar, caminhar), com repetição e progressão, em vez de exercícios analíticos soltos. É o que transfere para o uso espontâneo em casa.
- Intensidade e repetição. A neuroplasticidade responde a volume; subdosar é um erro comum.
- Metas funcionais mensuráveis. “Melhorar o membro superior” não orienta; “segurar o copo com a mão afetada e levá-lo à boca” orienta — e dá para medir.
- Equilíbrio e marcha como eixos da independência, progredindo de ambiente interno e supervisão para externo.
- Espasticidade abordada de forma funcional (posicionamento, mobilização, controle ativo), integrada à conduta médica quando há toxina botulínica indicada — não só alongamento passivo.
Como registrar para a evolução aparecer (mesmo lenta)
No paciente de longa duração, o registro objetivo é o que prova progresso quando ele é gradual — e o que sustenta a continuidade do tratamento:
- Fugl-Meyer para a recuperação motora.
- Medida de Independência Funcional (MIF) para as AVDs.
- Escala de Berg para o equilíbrio e a velocidade de marcha (teste de 10 metros).
- Escala de Ashworth para a espasticidade.
Esses dados entram na evolução de cada sessão e, ao longo de meses, viram a curva que mostra o ganho — essencial para o paciente e a família não desanimarem, e para justificar a continuidade ao convênio. No relatório, o CID I69 (sequelas de AVC) entra como referência ao lado do seu diagnóstico cinético-funcional, e a CIF costuma ganhar peso aqui, porque a evolução se mede em função, não em cura. A mesma lógica de conduta neurológica por estágio vale para a doença de Parkinson.
No Clinvo, a avaliação inicial e as escalas de cada reavaliação ficam no prontuário do paciente, em sequência — então, num tratamento que dura meses, você abre e vê a Fugl-Meyer e a MIF evoluindo, em vez de reconstruir de fichas soltas. Teste grátis por 14 dias, sem cartão de crédito.